Os Demônios da Noite
A noite atormenta
os demônios da minha mente.
Meu Deus...
será que estou presa
em um loop sem fim?
Às vezes me sinto triste.
Esse seu olhar para mim
me deixa com medo.
Sabe aquele medo
que não sai de dentro da gente?
Será por isso que me pergunto:
será que eu sou um erro?
Um erro para alguém?
Será que um dia
alguém vai olhar para mim
e enxergar que eu não sou?
Então por que eles olham?
O que será que eles sentem?
Parece que não ligam...
Eu não sou uma boneca
para eles acharem
que não tenho sentimentos.
Afinal, eu tenho.
E não estou feliz por tê-los.
Eles são os demônios
que me atormentam nesta noite.
Esta noite é fria,
e tudo o que passa
pela minha cabeça é:
Será que eu sou o erro?
“Pare.
Pare com isso.
Com esses pensamentos.
Você é uma mulher.
Você precisa ser forte.”
Foi isso que eles disseram
quando eu estava no meu último ar,
naquele momento
que eu odeio lembrar.
“Não... não olhe para mim
com esse olhar de julgamento.
Você não pode olhar
para esses demônios
que estão aqui.
É um fundo escuro,
uma perda de tempo.
Saia.”
Foi isso que eu falei
naquela noite.
Mas por quê?
Por que será que a noite
mostra coisas
que você mais odeia?
Por quê?
Por que vocês estão longe de mim?
O que eu fiz?
Será que eu sou o erro?
“Maldito eu...
fique, por favor.”
Foi isso que eu disse
às pessoas com quem convivi.
Elas me olham
como se eu fosse um monstro.
Será que eu sou?
Ei... não olhe para mim.
Porque, se olhar demais,
talvez encontre o monstro
escondido debaixo da cama.
Foi isso que cresci ouvindo:
“Monstros sempre ficam
debaixo da cama
esperando a próxima vítima.”
E aqui estou eu...
Consumida por esse monstro.
“Ei, eu estou bem.
Só não olhe.”
Você ainda me amaria
se soubesse dos meus demônios?
Não...
eu não posso falar
sobre os meus problemas.
“Saia.
Saia, eu não quero você aqui.
Não nesta noite.
Por favor...
Pare.
Eu só quero
que tudo pare.”
Foi assim
que me tornei uma mulher
que aprendeu a segurar
os próprios demônios.
Mas, mesmo segurando todos eles...
**alguns sempre acabam escapando.