**SĂł por essa noite**
Hoje Ă© uma daquelas noites
paranormais,
em que os monstros parecem estar por todos os lados.
Eu fecho os olhos,
tentando encontrar um pouco de luz entre eles,
mas tudo o que encontro
Ă© escuridĂŁo.
O frio passa pelo meu corpo
como se fantasmas atravessassem minha alma,
e eu sĂł consigo pensar:
**“Eu só quero que isso acabe.
Só por essa noite.”**
Mas quanto tempo vou precisar repetir isso
até acreditar que vai passar,
se dentro da minha cabeça
uma voz insiste em dizer
que nunca vai acabar?
Essa noite parece nĂŁo ter fim.
E eu tenho medo.
Medo de nĂŁo conseguir aguentar
tudo o que sinto.
Será que alguém já passou por noites assim
e conseguiu chegar ao outro lado
sem se perder completamente?
Eu sĂł queria que essa noite desaparecesse
do mesmo jeito que desapareceram
algumas pessoas que me machucaram.
E eu sei...
eu sei que existem pessoas capazes de ferir
mesmo quando recebem nosso melhor.
Talvez seja por isso que,
mesmo machucados,
alguns de nós continuem tendo um coração bom.
Perdoamos.
Mesmo quando nĂŁo deverĂamos.
Mesmo quando a nossa prĂłpria alma
ainda grita o nome daqueles que nos feriram.
Mas já que estamos falando de monstros,
vamos falar da escola.
Por que Ă s vezes parece
que existem mais monstros dentro dela
do que nas ruas?
Era para ser um lugar seguro.
Um lugar para aprender,
fazer amigos,
descobrir quem somos.
Mas para mim,
a escola também trouxe medo.
Trouxe lágrimas.
Trouxe raiva.
Trouxe lembranças que eu queria esquecer.
Já me machucaram.
Eu pedi para pararem.
Pedi, mais de uma vez.
E quando procurei ajuda,
ouvi risadas
e disseram apenas:
**“Ignora.”**
Como se fosse simples.
Como se ignorar pudesse apagar aquilo.
Foi entĂŁo que aprendi a esconder as coisas.
A sorrir quando queria chorar.
A dizer “está tudo bem”
quando nĂŁo estava.
Mas hoje...
Hoje eu resolvi quebrar a quarta parede.
EntĂŁo, sim.
Estou falando com vocĂŞ.
Você que está lendo isso
talvez esteja tendo uma noite parecida.
Presta atenção.
Leia cada palavra.
**Vai ficar tudo bem.**
Ei...
nĂŁo olha para mim com essa cara de choro.
Pode chorar.
VocĂŞ nĂŁo Ă© fraco por isso.
NĂłs nĂŁo precisamos ser inimigos.
NĂŁo precisamos provar quem Ă© melhor.
Talvez pessoas como nĂłs
sĂł precisem se encontrar
e lembrar umas Ă s outras:
**“Você não está sozinho.”**
EntĂŁo, sĂł por essa noite,
vamos levantar a cabeça.
Vamos lembrar que somos incrĂveis,
mesmo quando nĂŁo conseguimos enxergar isso.
E vamos contar juntos.
Só até dez.
Respira.
Um...
Dois...
TrĂŞs...
Quatro...
Cinco...
Seis...
Sete...
Oito...
Está quase.
SĂł mais um pouco.
Nove...
Não precisa esconder as lágrimas.
E dez.
Você chegou até aqui.
**VocĂŞ Ă© incrĂvel.**
Guarda isso.
Agora voltando para mim...
Eu ainda nĂŁo consigo parar de ouvir mĂşsicas
que fazem meus pensamentos correrem.
E que coisa estranha...
Ă€s vezes parece que algumas mĂşsicas
sabem exatamente o que estou passando.
Será que quem escreveu também teve noites assim?
Será que alguma dessas pessoas
também ficou olhando para o teto
esperando a madrugada passar?
Eu nĂŁo sei.
Mas espero que, enquanto vocĂŞ lĂŞ isso,
vocĂŞ consiga descansar.
Talvez eu nĂŁo consiga dormir hoje.
Talvez eu passe a madrugada acordada,
tentando nĂŁo pensar demais
.
Mas, por enquanto...
**sĂł por essa noite,
vamos deixar o amanhĂŁ para amanhĂŁ.**
E quando a noite finalmente passar,
a gente tenta de novo.
Um passo.
Depois outro.
Até encontrar a luz.