Há noites em que o silêncio
parece saber meu nome,
entra devagar pela janela
e senta ao lado da minha cama.
Eu finjo que não sinto falta,
como quem fecha os olhos
para não enxergar o vazio.
Mas a saudade não precisa de olhos.
Ela conhece o caminho.
Ainda mora em mim
tudo aquilo que não aconteceu,
as palavras que engoli,
os abraços que imaginei,
e aquele “fica”
que nunca tive coragem de dizer.
Talvez seja isso que mais doa:
não perder alguém,
mas perder a versão de nós
que poderia ter existido.
E enquanto o mundo amanhece,
eu continuo aqui,
juntando pedaços de sentimentos
que ninguém viu quebrar.
Sorrio durante o dia.
À noite,
quando ninguém está olhando,
confesso ao escuro:
eu ainda sinto.
Só aprendi a esconder.