Olhos nos Olhos
Quero alguém que me olhe nos olhos,
que não me ache impertinente quando expor minhas reclamações e minhas dores.
Alguém que fale docemente, que ria do meu riso e pranteie o meu choro,
que não me deixe duvidar daquilo que eu preciso crer.
Quem será que navegará na penumbra da minha angústia
e resgatará o que restou da minha alma?
Preciso de ti, amigo desconhecido,
que não rirá quando eu fizer piadas sobre mim.
Que irá me desmentir, e quando eu disser que nasci errado,
você dirá que nasci para ti.
Quero alguém que corra pelos campos da minha alma,
semeando lírios e arrancando espinhos.
Em meu país só existe madrugada, por aqui o sol nunca raiou.
O ar é tão seco que quase me sufocou,
nunca vi um arco-íris, nunca ouvi uma história de amor.
O seu sorriso será alvorada em minha densa madrugada,
suas palavras, sementes; suas lágrimas, boa rega
para a terra seca por onde por tanto tempo minha alma peregrinou.
No meu sertão só há cactos para se alimentar,
mas tu trarás pão, manteiga e um bom vinho para minha fome saciar.
Rogo agora ao meu Senhor que você venha sem tardar,
para tornar-me um mundo mais fácil de habitar.
Por Guilherme Souza!