Os Passos que Ela Deu
Os dias voltaram a ser tranquilos, mas havia algo diferente dentro de Nanda uma pequena luz que não se apagava mais, mesmo nos momentos em que a ansiedade chegava.
Numa tarde, a professora anunciou que cada aluno deveria apresentar um trabalho para a turma. Ao ouvir isso, o coração de Nanda disparou de um jeito que doeu. Suas mãos suaram frio, a garganta ficou seca, e a primeira ideia que veio foi: não consigo. Vou tremer. Vou esquecer tudo. Todos vão olhar e vão ver o quanto sou estranha.
Na hora do intervalo, afastou-se para o banco de sempre, abraçando os joelhos, com os olhos cheios de lágrimas. Lucas sentou-se ao lado dela, sem pressa, sem perguntas. Apenas ficou ali, presente.
— Eu não vou conseguir — sussurrou ela, com a voz embargada. — E se eu travar? E se todos rirem?
Ele passou o braço pelas costas dela, bem devagar.
— Sabe o que eu aprendi com você? — disse ele, baixinho. — Que ter medo não significa que você não é capaz. Significa que algo importa pra você. E você não precisa fazer tudo de uma vez. Pode falar mais baixo, pode parar pra respirar, pode olhar só pra mim. Eu estarei ali, na primeira fileira. Sempre.
Nanda olhou para ele. Os olhos dele eram tão sinceros que ela sentiu que podia tentar. Só tentar, já era alguma coisa.
Nos dias que vieram, ensaiou sozinha no quarto, na frente do espelho, e depois com Lucas. Havia momentos em que parava, sentia o peito apertar e queria desistir. Mas ele dizia: está tudo bem, respira. Vamos de novo, no seu ritmo.
Chegou o dia. Quando o nome dela foi chamado, as pernas pareceram de chumbo. Caminhou devagar até a frente da sala, e por um instante, tudo girou. Mas então olhou — e lá estava Lucas, sorrindo para ela, calmo, firme. E lembrou das palavras de Mariana: ele gosta de você inteira.
Respirou fundo, uma, duas vezes. Começou a falar. A voz saiu um pouco trêmula no começo, é verdade. Mas continuou. Quando errou, parou, respirou, e recomeçou. Ninguém riu. Ninguém olhou com estranhamento. Alguns prestaram atenção. Um ou dois sorriram.
Quando terminou e voltou para o lugar, sentou-se com o coração ainda acelerado, mas de um jeito novo — não de medo, mas de algo parecido com orgulho. Lucas apertou a mão dela por baixo da mesa e sussurrou:
— Eu sabia que você conseguia.
Naquela noite, escreveu para Mariana: falei na frente de todo mundo. Ainda tremi muito. Mas fui. E sobrevivi.
A resposta veio rápido, cheia de corações: Eu sabia! Minha menina crescendo 💛 Estou tão orgulhosa de você!
Nanda deitou-se e olhou para o teto. Os medos não tinham desaparecido completamente. Eles ainda moravam nela, às vezes batendo à porta. Mas agora ela sabia algo importante: não precisava se livrar deles para viver. Podia caminhar junto com eles, devagar, um passo de cada vez. E não estava mais sozinha.
Havia luz. Havia amor. Havia ela, finalmente aprendendo a se encontrar. 💫