O Momento do Cigarro 🚬
Se minha mãe fosse a matriarca de muitos que ingressaram no mundo do tabagismo talvez houvesse menos fumantes, falo por mim porque toda aquela vontade de fumar na minha infância ficou na vontade …(graças a minha mãe) 😂
Essa passagem foi cômica e um aprendizado inesquecível e um grande susto na época.
Antigamente os velórios eram realizados em casa, cumpriam-se as exigências, pagavam as taxas e velava-se o corpo na residência.
Foi no velório da bisavó Bernarda mãe de meu avô que faleceu por velhice beirando um pouco mais de 95 anos, lembro que os parentes ficaram o dia todo naquela expectativa, aquela movimentação até que o corpo chegou no final da tarde, já era quase noite, começaram a chegar os parentes e amigos da família para a visitação, e o velório propriamente dito.
Naquela época as pessoas fumavam em demasia mesmo quase todas as pessoas fumavam como se fosse um hobby ou status, não lembro se foi meu avô ou meu tio que enquanto fumava chegou até a porta da sala e jogou a bituca, naquele clássico movimento de segurá-la com os dedos polegar e o médio e arremessá-la no jardim bem próximo ao pé de café no declinado corredor que dava acesso às casas dos fundos do número 238 da rua João Mafra.
Eu com 6 anos olhando aqueles adultos fumando, parecia apetitoso e educativo vê-los soltando fumaça pelo ar, na minha santa ignorância, achava aquilo fantástico.
Enfim, a bituca já estava no jardim, e lá fui eu para a minha primeira degustação, pensei que tinha pego a bituca escondido e claro, olhei para cima, olhei para baixo, para a direita, para esquerda e pinotiei (corri) para trás da casa.
Sentei no chão com a bituca na mão olhei para ela, ela olhou pra mim e finalmente decidi experimentar e a pus na boca, aliás tentei!
Minha mãe que era muito atenta e cuidadosa, detalhe que tinha esquecido, quando achei que estava batendo aquele bolão, só senti o vento produzido pela mão dela que passou raspando pela minha cabeça e orelha e um estridente grito:
___ Você quer fumar né?
___ Pera aí seu moleque!
Espera nada!! Corri, corri igual um tigre…… não tendo outra alternativa, me refugiei para o lado caixão, tremendo pra caramba e ali fiquei até que a temperatura dela esfriou.
Desde então não quis saber mais o que é fumar ou tragar um cigarro.
Na Psicologia, este desmembramento de ensino chama-se “reforçamento negativo” na base do “tplau tprau” (couro mesmo), naquele tempo podia se educar com chinelos, cinto, varas e até mesmo a palma da mão tudo severamente.
Essa lição de como não fumar de jeito nenhum aprendi muito bem e sou muito agradecido!
@PietrodeLuccaPoeta ✒️📝🖋️
Escritor, Poeta, Contista e Cronista
Athelier das Letras - Selo 444®
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pietrodeluccapoetanarcisosilva.blogspot.com