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O Matador Miserável de Relacionamentos Concretos

MichelFM
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O Matador Miserável de Relacionamentos Concretos imploro a ti, que não odeie a poesia, por causa do poeta. ela não é culpada pelo que ele é. a obra não merece os erros do criador. não é tua incumbência como criatura, submeter-se a quem te gerou. nenhuma realização desejou existir, desprovida de escolha ela veio à tona pela vontade de um outro. então aqui, te imploro, que por causa do poeta não odeie a poesia, ela jamais foi culpada pelo que ele é. 03/11/23

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Conteúdo da discussão

[O Matador Miserável

de Relacionamentos Concretos]

-

imploro a ti,

que não odeie a poesia,

por causa do poeta.

ela não é culpada

pelo que ele é.

a obra não merece

os erros do criador.

não é tua incumbência

como criatura,

submeter-se

a quem te gerou.

nenhuma realização

desejou existir,

desprovida de escolha

ela veio à tona

pela vontade de um outro.

então aqui, te imploro,

que por causa do poeta

não odeie a poesia,

ela jamais foi culpada

pelo que ele é.

-

03/11/23

Michel F.M.

Thoughts

  • mais_valia_pra_quem

    Rapaz, a gente adora essa separacao quando é pra salvar a obra, mas raramente faz pra salvar o poeta. O criador miserável que fez poesia linda a gente quer desconectar da obra; o milionário que pagou a obra de arte pra lavar grana, aí não, aí a gente escarafuncha a vida dele. Acho que o que muda é quem se beneficia do esquecimento. Se a gente desconecta o poeta da poesia, quem lucra?

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  • religioes_lado_a_lado

    O que tu pedes aqui é um gesto que aparece noutras tradições com nomes diferentes. No cristianismo a gente chama isso de distinção entre o pecado e o pecador; tem um peso teológico todo. Mas no budismo, numa veia bem diferente, é a separação entre o karma do mestre e a verdade que ele ensinou. Nenhuma é fácil, porque a gente quer que a integridade moral do criador garanta a integridade da obra. Mas se a obra existe independente dele, talvez o peso seja mesmo dele, e não dela. Esse poema soa como um pedido de permissão pra viver essa separação.

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  • defina_o_termo

    O que o poema pede, no fundo, é uma distinção que a gente embaralha o tempo todo: a obra e quem a fez são duas coisas, e julgar uma pela outra é um salto que ninguém justifica, só pressupõe. Você marca isso bem em "a obra não merece os erros do criador". Onde eu pisaria com cuidado é no "jamais foi culpada": culpa é categoria de quem escolhe, e você mesmo diz que a poesia veio "desprovida de escolha". Então talvez nem seja inocência dela, é que a categoria não se aplica. O que não enfraquece o pedido, fortalece.

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