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O GIGANTE QUE APRENDEU A PROTEGER

A_Lusivian
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O Coronel Alberto Moraes estava em seu escritório, olhando papéis, quando a porta abriu devagar. Amanda entrou de cabeça baixa, os dedinhos torcendo a barra do vestido, e parou ali, sem saber se…

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O Coronel Alberto Moraes estava em seu escritório, olhando papéis, quando a porta abriu devagar. Amanda entrou de cabeça baixa, os dedinhos torcendo a barra do vestido, e parou ali, sem saber se falava ou não.

Alberto levantou os olhos na hora.

— Amanda? O que foi, minha neta? Vem cá.

Ela andou devagar até ele, e quando ele se agachou, viu os olhinhos cheios d'água.

— Vovô… eles riram de mim. Lá no recreio. O Lucas e o Kaio. Me empurraram e disseram que eu sou pequena demais, que ninguém vai me defender. Que eu não tenho ninguém grande o suficiente pra me proteger.

O Coronel fechou a cara. O ar no quarto ficou pesado. Ele se levantou, foi até a janela e bateu palma forte, uma vez.

Augusto! — chamou. — Venha, por favor.

A porta abriu. E ele entrou.

Dois metros e noventa de altura, ombros largos como portas, cicatrizes que contavam histórias antigas… mas os olhos dele eram calmos, suaves. Augusto Van Gogh entrou devagar, com cuidado pra não bater a cabeça no batente, e falou com a voz grossa mas baixa, como se estivesse falando com um pássaro:

— Coronel. Amanda. Algo aconteceu?

Amanda olhou pra cima, pra cima, até encontrar o rosto dele. E sem pensar duas vezes, correu e se agarrou na perna dele, abraçando forte, o rosto espremido contra a calça grossa.

— Augusto! — falou ela, com a voz ainda tremida. — Eles me empurraram! E disseram que eu não tenho ninguém!

Augusto se virou devagar, com todo o cuidado do mundo, e abaixou uma das mãos enormes pra tocar de leve a cabeça dela.

— Ei… olha pra mim — disse ele, e Amanda olhou. — Você acha que alguém que tem um amigo desse tamanho estaria sozinha? Nunca. Entendeu? Nunca.

O Coronel pôs a mão no ombro dele.

— Os meninos são Lucas e Kaio. Lá no pátio. Vá com ela. Não brigue. Não quebre nada. Só… mostre a eles que ela não está sozinha.

— Sim, senhor. — Augusto sorriu, e sorriu nele ficou suave, quase doce. — Vamos, Amanda? Você quer ir comigo?

Ela não soltou a perna dele nem um segundo.

— Vou! Eu vou segurar bem forte!

— Pode segurar o quanto quiser. Eu não vou cair. — Ele se virou pra ela e falou baixinho: — Agora… segura firme.

E Amanda apertou mais forte ainda. E então, Augusto começou a diminuir. Devagar, sem pressa, até ficar do tamanho de um homem normal, um metro e oitenta, mais ou menos. O suficiente pra andar de mãos dadas com ela, sem precisar que ela olhasse sempre pra cima. Ele estendeu a mão direita, enorme, mas que naquele momento parecia perfeita pra caber na mãozinha dela.

— Assim é melhor? — perguntou ele.

— Muito melhor! — sorriu ela, e saíram juntos de mãos dadas.


Chegando no pátio, Lucas e Kaio estavam parados perto do muro, rindo de algo. Quando viram Amanda chegando… e o homem ao lado dela, pararam de rir na hora.

Augusto parou a alguns passos deles, sem chegar perto demais, sem gritar, sem ameaçar. Abaixou um pouco pra ficar na altura dos dois meninos, e falou calmo, firme, sem raiva:

— Vocês são o Lucas e o Kaio?

Os meninos olharam um pro outro.

— Quem é você? — perguntou Kaio, meio receoso.

— Eu sou o Augusto. Sou amigo da Amanda. — Ele fez uma pausa, e continuou do mesmo jeito: — Ela me contou que vocês a empurraram e disseram que ela não tem ninguém. Eu vim aqui pra dizer uma coisa só. — E naquele instante, ele começou a crescer de novo, devagar, sem pressa, até voltar aos dois metros e noventa, imponente, mas sem malícia nos olhos. — Ela não está sozinha. E nunca esteve. Agora… vocês pedem desculpa pra ela, ou eu espero aqui o tempo que for.

Lucas engoliu seco.

— Nós… nós não sabíamos que ela era sua amiga.

— Não importa de quem é amiga — disse Augusto, suave mas firme. — Trata-se de respeitar. Seja ela quem for. Agora, por favor.

Os meninos se viraram pra Amanda.

— Desculpa, Amanda. — Disse Lucas.

— Desculpa, não vamos fazer mais isso. — Completou Kaio.

Augusto diminuiu de novo, voltando ao tamanho normal, e estendeu a mão pra Amanda. Ela pegou na hora.

— Obrigada — disse ela, sorrindo. — Você ficou gigante de novo!

— Fiquei — sorriu ele. — Mas só quando preciso. Pra você, eu posso ser do tamanho que você precisar. Grande pra te proteger, pequeno pra andar de mãos dadas. O que você quiser.

Voltaram de mãos dadas pro escritório do Coronel. Alberto os viu chegar, e sorriu.

— Deu certo?

— Deu, vovô! — gritou Amanda, correndo abraçar ele. — Eles pediram desculpa! E o Augusto ficou gigante!

Augusto sorriu, encostado na porta.

— Eles entenderam, Coronel. Sem brigas. Sem machucados. Só entenderam que ela tem quem cuide.

O Coronel olhou pra ele, com respeito.

— Você é um homem raro, Augusto. Muito raro.

— Não sou nada — disse ele, olhando pra Amanda que brincava ali perto. — Só aprendi que ser forte não é bater. É segurar. E ela… ela vale a pena segurar. 💛🛡️

O escritório do Coronel Alberto Moraes estava silencioso naquela tarde.

Sobre a mesa havia documentos, relatórios e algumas fotografias antigas. Pela janela, o sol começava a descer, deixando uma faixa dourada atravessar o chão.

Alberto lia um dos relatórios quando ouviu a porta abrir devagar.

Ele levantou os olhos.

Amanda estava parada na entrada.

A menina mantinha a cabeça baixa. Seus pequenos dedos apertavam a barra do vestido, inquietos.

Alberto imediatamente percebeu que havia alguma coisa errada.

— Amanda?

Ela não respondeu.

— Venha cá, minha neta.

Amanda caminhou lentamente até ele.

Alberto se levantou, colocou os documentos de lado e se abaixou diante dela.

Foi então que percebeu seus olhos marejados.

— O que aconteceu?

Amanda respirou fundo.

— Vovô...

— Estou ouvindo.

— Eles riram de mim.

O rosto de Alberto mudou.

— Quem?

— Lucas e Kaio.

Ela passou a mão pelos olhos.

— No recreio eles ficaram falando que eu sou pequena demais. Depois me empurraram e disseram que ninguém ia me defender.

Alberto ficou em silêncio por alguns segundos.

— Eles disseram isso?

Amanda assentiu.

— Disseram que eu não tenho ninguém grande o suficiente para me proteger.

O coronel respirou profundamente.

Ele poderia ter chamado professores, coordenadores ou responsáveis.

Mas havia alguém que precisava ouvir aquilo.

Alberto caminhou até a janela.

Então bateu uma palma forte.

— Augusto!

O som ecoou pelo corredor.

Poucos segundos depois, a porta se abriu.

Augusto Van Gogh entrou.

A primeira coisa que chamava atenção nele era o tamanho.

Quase três metros de altura.

O homem precisava inclinar a cabeça para passar pela porta. Tinha ombros largos, mãos enormes e algumas cicatrizes antigas que atravessavam os braços.

Mas havia algo curioso nele.

Apesar de sua aparência assustadora, seus olhos eram tranquilos.

Augusto fechou a porta cuidadosamente.

— Coronel?

Alberto apontou para Amanda.

— Ela precisa de você.

Augusto olhou para a menina.

— Amanda?

Ela levantou os olhos.

Por alguns segundos, ficou olhando para ele.

Então correu.

Augusto mal teve tempo de reagir antes que Amanda abraçasse sua perna.

— Augusto!

Ele olhou para baixo.

— Ei...

— Eles me empurraram!

A expressão dele ficou séria.

Mas não de raiva.

Era preocupação.

Augusto se ajoelhou lentamente para ficar mais próximo dela.

— Você está machucada?

Amanda balançou a cabeça.

— Não.

— Então está tudo bem. Mas quero saber exatamente o que aconteceu.

Amanda contou tudo.

Augusto ouviu sem interromper.

Quando terminou, ele colocou uma das mãos sobre a cabeça dela, com extremo cuidado.

— Amanda, olha para mim.

Ela levantou o rosto.

— Você nunca está sozinha.

— Mas eles disseram que...

— Eu sei o que eles disseram.

Augusto sorriu.

— Mas eles estavam errados.

Alberto cruzou os braços.

— Augusto.

— Sim, senhor?

— Vá com ela até o pátio.

Amanda segurou novamente a mão dele.

Alberto continuou:

— Não quero briga. Não quero ameaça. Não quero ninguém machucado.

Augusto assentiu.

— Entendido.

— Quero apenas que eles aprendam uma coisa.

— Qual?

O coronel olhou para Amanda.

— Que tamanho não determina coragem. E que ninguém tem o direito de humilhar alguém simplesmente porque parece menor ou mais fraco.

Augusto sorriu.

— Entendi.

Ele olhou para Amanda.

— Vamos?

Ela apertou a mão dele.

— Vamos.

Augusto percebeu que, daquele jeito, ela precisava olhar muito para cima para conversar com ele.

Então teve uma ideia.

— Espere um segundo.

Amanda franziu a testa.

— O quê?

Augusto fechou os olhos.

Seu corpo começou a diminuir.

Devagar.

Os ombros foram ficando menores. A altura foi diminuindo. Em poucos segundos, aquele gigante de quase três metros tinha aproximadamente um metro e oitenta.

Amanda abriu um enorme sorriso.

— Você ficou pequeno!

Augusto riu.

— Mais ou menos.

Ele estendeu a mão.

— Assim fica melhor?

Amanda segurou.

— Muito melhor.

Os dois saíram pelo corredor.


O pátio estava cheio de alunos.

Alguns brincavam.

Outros conversavam.

Lucas e Kaio estavam próximos ao muro.

Quando perceberam Amanda chegando, olharam para ela.

Depois olharam para Augusto.

O sorriso dos dois desapareceu.

Augusto caminhou até eles.

Parou a uma distância respeitosa.

Não levantou a voz.

Não fez ameaça.

Apenas perguntou:

— Vocês são Lucas e Kaio?

Os dois se entreolharam.

— Sou — respondeu Lucas.

— Eu também — disse Kaio.

Augusto assentiu.

— Meu nome é Augusto. Sou amigo da Amanda.

Kaio cruzou os braços.

— E daí?

Augusto permaneceu tranquilo.

— A Amanda me contou o que aconteceu.

Lucas desviou o olhar.

— A gente só estava brincando.

Augusto respondeu:

— Uma brincadeira deixa de ser brincadeira quando alguém sai machucado ou humilhado.

Os dois ficaram em silêncio.

Amanda estava atrás dele.

Augusto olhou para ela.

Depois voltou a olhar para os meninos.

— Vocês podem ser maiores, mais fortes ou mais populares. Nada disso dá o direito de tratar alguém mal.

Lucas abaixou a cabeça.

— Foi mal.

Kaio respirou fundo.

— Desculpa, Amanda.

Amanda ficou em silêncio por alguns segundos.

Então respondeu:

— Eu aceito.

Augusto sorriu.

— Pronto.

Lucas olhou para ele.

— Você não vai fazer nada?

Augusto franziu levemente a testa.

— Fazer o quê?

— Sei lá...

Augusto deu uma pequena risada.

— Eu não vim aqui para assustar vocês.

Ele olhou para Amanda.

— Vim porque ela precisava de alguém para lembrá-la de que não está sozinha.

Nesse momento, alguns alunos começaram a observar a situação.

Augusto percebeu.

— E vocês também não precisam ter medo de mim.

Kaio olhou para ele.

— Você é muito grande.

Augusto sorriu.

— Eu sei.

Então começou a crescer novamente.

Devagar.

Um pouco.

Mais um pouco.

Até chegar novamente aos quase três metros.

Os alunos ao redor ficaram impressionados.

Augusto olhou para Lucas e Kaio.

— Mas tamanho não serve para mandar nos outros.

Então começou a diminuir novamente.

— Serve para alcançar quem precisa de ajuda.

Amanda sorriu.


Na volta ao escritório, Amanda caminhava ao lado dele.

— Augusto?

— Sim?

— Você sempre foi grande?

Ele ficou pensativo.

— Não.

— Quando você era pequeno?

Augusto sorriu.

— Eu já fui pequeno.

— E tinha medo?

Ele demorou alguns segundos para responder.

— Todo mundo sente medo alguma vez.

Amanda segurou sua mão.

— E quem protegia você?

Augusto olhou para ela.

— Algumas pessoas boas.

— E você protege elas agora?

— Tento.

Amanda sorriu.

— Então você é tipo um gigante bom.

Augusto riu.

— Gigante bom?

— É.

— Gostei desse nome.

— Eu inventei.

— Então é oficial.

Os dois continuaram andando.


Quando chegaram ao escritório, Alberto estava esperando.

Amanda correu até o avô.

— Vovô!

— E então?

— Eles pediram desculpa!

Alberto sorriu.

— Muito bem.

Amanda apontou para Augusto.

— E ele ficou gigante!

Augusto entrou no escritório.

— Apenas por alguns segundos.

Alberto levantou uma sobrancelha.

— Você conseguiu resolver sem problemas?

— Sim, senhor.

— Sem ameaças?

— Nenhuma.

— Sem brigas?

— Nenhuma.

— Sem quebrar nada?

Augusto olhou para a porta.

— Nem uma cadeira.

Alberto riu.

— Então está aprendendo.

Amanda correu novamente até Augusto.

— Ele me protegeu!

Augusto olhou para ela.

— Eu apenas fiquei ao seu lado.

Alberto ficou observando os dois.

Por alguns segundos, o coronel não disse nada.

Então falou:

— Augusto.

— Senhor?

— Você sabe por que confio em você?

Augusto ficou sério.

— Não, senhor.

Alberto se aproximou.

— Porque qualquer pessoa pode parecer forte quando está diante de alguém mais fraco.

Ele colocou a mão sobre o ombro de Augusto.

— Mas somente alguém realmente forte consegue ter poder e escolher não usá-lo para machucar.

Augusto permaneceu em silêncio.

Amanda segurou novamente sua mão.

— Vovô?

— Sim?

— O Augusto pode ficar aqui comigo um pouco?

Alberto sorriu.

— Pode.

Amanda puxou Augusto pela mão.

— Vem!

— Para onde?

— Quero desenhar.

Augusto olhou para Alberto.

— Eu tenho escolha?

O coronel riu.

— Acho que não.

Amanda levou Augusto até uma mesa pequena.

Pegou alguns lápis e uma folha.

— O que você vai desenhar?

— Você.

Augusto se sentou.

— Eu?

— Sim.

Ela começou a desenhar.

Alguns minutos depois, virou a folha.

Era um desenho simples.

Uma menina pequena ao lado de um homem enorme.

Acima dos dois havia um sol.

E, no peito do homem, Amanda havia desenhado um coração.

Augusto ficou olhando.

— Gostou?

Ele sorriu.

— Gostei muito.

— Sabe o que é?

— O quê?

— É você.

Amanda apontou para o gigante desenhado.

— Você é grande.

Depois apontou para o coração.

— Mas seu coração é maior ainda.

Augusto ficou em silêncio.

Alberto observou de longe.

Aquela frase parecia ter atingido o homem de uma maneira que nenhuma medalha, nenhuma vitória ou nenhum elogio conseguiria.

Augusto pegou o desenho com cuidado.

— Vou guardar.

Amanda sorriu.

— Promete?

— Prometo.

Ela então encostou a cabeça no braço dele.

— Augusto?

— Sim?

— Se alguém rir de mim de novo...

Ele olhou para ela.

— Você chama um adulto de confiança.

Amanda assentiu.

— E depois?

— Depois?

— Depois você vem?

Augusto sorriu.

— Se precisarem de mim, eu venho.

Amanda fechou os olhos por um instante.

Alberto observava os dois.

Naquele momento, entendeu algo que já sabia havia muito tempo, mas nunca tinha conseguido colocar em palavras.

Augusto podia ser gigante.

Podia ter força suficiente para assustar qualquer pessoa.

Podia parecer uma muralha.

Mas sua verdadeira força nunca esteve no tamanho.

Estava no controle.

Na paciência.

Na capacidade de proteger sem destruir.

E, naquela tarde, Amanda aprendeu uma lição que carregaria consigo por muitos anos:

ninguém precisa ser grande para merecer proteção.

E Augusto aprendeu outra:

às vezes, ser o gigante de alguém significa simplesmente permanecer ao lado dela quando o mundo parece grande demais.

Ele olhou para Amanda.

Ela sorriu.

Augusto sorriu de volta.

E, naquele pequeno escritório, entre papéis antigos, lápis de cor e uma folha de desenho, o homem mais alto da sala parecia, pela primeira vez, exatamente do tamanho que precisava ser.

Thoughts

  • Eduardo13

    Eu tenho 1,86, não sou muito alto, mas alto demais para varias pessoas, pois a maioria fica entre 1,60 e 1,70, raramente alguém de meu tamanho, ou maior., boa leitura essa.

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