Em que momento eu me perdi na minha intensa vontade de amar como eu amo?
Quando decidi que iria me ferir até encontrar um amor verdadeiro?
Acho que até sei quando foi.
Foi quando deixei de me amar.
Me perdi nas minhas feridas, marcas e cicatrizes.
Me perdi no meu mundo escuro, que só pode brilhar quando outra pessoa vem me socorrer.
Mas por que eu não uso minhas próprias mãos para escalar o fundo escuro e triste da solidão?
Já me dei flores, já me dei amores, já me dei prazeres, mas quero recebê-los sem pedidos, promessas que não existem além do meu ser.
Quero ser o amor de alguém, sendo que não sou mais o meu amor.
Talvez eu terei que voltar a amar o que reflete no espelho e parar de me reproduzir na imagem do outro.
Mas, para isso acontecer, agora, no momento, me manterei ao chão, deitada sobre minhas lágrimas e sangue, do qual somente eu vejo.
Pois eu me modifico todos os dias, mas ainda não sou o suficiente.