Eu ainda estava parado na porta do meu quarto, esperando que ela saísse, quando percebi que seus olhos estavam ficando marejados. No começo, achei que fosse apenas impressão minha, mas, quando ela abaixou a cabeça e passou as mãos pelo rosto, percebi que estava chorando.
Franzi a testa, sem entender absolutamente nada.
— Ei... o que foi agora?
perguntei, soltando um suspiro impaciente.
Ela não respondeu. Apenas passou por mim rapidamente, tentando sair do quarto enquanto enxugava as lágrimas que escorriam pelo rosto.
Fiquei parado por um instante, acompanhando seus passos com os olhos. Eu não esperava aquela reação. Tudo bem, talvez tivesse falado um pouco mais do que deveria, mas não achava que fosse motivo para chorar daquele jeito.
Quando ela passou por mim, estendi a mão e segurei delicadamente seu braço, fazendo-a parar por um instante.
— Ei, espera aí...
Minha voz saiu mais baixa dessa vez. Olhei para ela, percebendo que continuava tentando esconder o rosto de mim.
— Por que você tá chorando?
Ela continuou em silêncio, e aquilo começou a me deixar desconfortável. Eu não era exatamente o tipo de pessoa que sabia lidar com alguém chorando na minha frente. Com Eithan, era diferente; ele sempre encontrava alguma coisa para dizer. Eu, por outro lado, parecia esquecer todas as palavras que conhecia.
Soltei devagar o braço dela, percebendo que talvez estivesse sendo insistente demais.
— Olha... eu não queria fazer você chorar, tá legal?
Murmurei, desviando o olhar por alguns segundos.
Passei a mão pelos cabelos, soltando um suspiro frustrado comigo mesmo.
— Eu só não gosto que entrem no meu quarto sem permissão. É só isso.
Voltei a olhar para ela. Seu silêncio fez com que eu me sentisse ainda pior, embora meu orgulho não me deixasse admitir aquilo facilmente.
— Você não precisa sair correndo desse jeito...
Parei de falar, sem saber muito bem como continuar. Eu queria perguntar se ela estava bem, mas aquelas palavras pareciam estranhas demais saindo da minha boca.
Olhei para o corredor e depois novamente para ela.
— Ei... olha pra mim um segundo.
Esperei, mantendo uma distância respeitosa, enquanto minha expressão rabugenta começava a dar lugar a uma preocupação que eu tentava esconder.
— Eu posso ser um idiota às vezes, mas não precisa chorar por minha causa.
Assim que terminei de falar, desviei o rosto, incomodado com minha própria sinceridade.
— E... desculpa, tá?
A palavra saiu tão baixa que quase pareceu um sussurro. Cruzei os braços, tentando recuperar minha postura de sempre, mas não consegui evitar olhar para ela mais uma vez.
— Agora me diz... por que você tá chorando desse jeito?
Pela primeira vez desde que aquela garota havia chegado à nossa casa, eu não estava preocupado em parecer irritado, nem em ter a última palavra.
Eu só queria entender por que vê-la chorar estava me incomodando tanto.