Estou resistindo aos meus impulsos, mas quero morrer, com uma convicção tão grande quanto a de saber que preciso beber água para viver.
Nunca deixei a ideia da morte completamente de lado. Nem sequer por um dia.
Mas, toda vez que alguma coisa dói demais, independentemente do que seja, eu me lembro da sensação da faca dentro do meu abdômen e fico ansiando por aquilo. Porque a dor de estar morrendo parece mais confortável do que a dor de tentar respirar e sentir os pulmões doerem. Como se minha alma não coubesse mais dentro do peito. Como se meus pulmões fossem implodir a qualquer segundo.
Eu acordo com vontade de chorar.
Abro os olhos com vontade de dormir novamente e, quando volto para a cama no fim do dia, olho para o escuro da noite e desejo me fundir ao vazio, virar fumaça. Não quero voltar a dormir e, então, vivo nesse looping.
Saio de casa para ir trabalhar e meu corpo pesa com a sensação da rua, das pessoas ao redor, com a impressão de que estão me olhando. Os olhos sobre mim parecem me assediar.
Quando chego à empresa, minha garganta mal consegue puxar ar. Não quero entrar. Não quero interagir.
Mas, quando começo a conversar, não consigo controlar a perda de mim. É como se eu fosse puxado para dentro e ficasse assistindo àquele ser estranho tomar conta de mim.
O riso, as conversas, o tom de voz — nada disso eu reconheço.
Quando fico sozinho, fazendo hora porque meu time já foi embora e eu ainda não estou pronto para voltar para casa, nem sequer para enfrentar o caminho de volta, eu respiro.
E volta a doer.
Uma dor que não sei explicar.
Já pensei em eutanásia, por piedade. Já que sou tão ruim em morrer.
Agora, tenho vergonha de tentar novamente e não conseguir.
Desculpe o desabafo.
E, por favor, não venha com um discurso pronto de apoio ou com um “procure um grupo terapêutico”. É como se eu já não soubesse. Como se eu não fizesse isso. Eu sei. Eu faço. Eu permaneço em linha.
Mas o sentimento existe.
É real.
E dói.
Dói ainda mais falar sobre isso.