Me encare. Diga que é só obsessão, que não sinto amor. O que diferencia o amor da obsessão? Foi a pergunta que você me fez.
Eu não sei. Mas eu assumo: eu não amo você. Estou obcecado e, com o tempo, me vi apaixonado como nunca antes me ocorreu. Estar aqui, tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe, me fez pensar.
Eu sinto, sim, amor por você. Não o amor romântico, ainda, mas já estou escolhendo amar você. Eu desejo você, e isso não está sob meu controle. Tenho imaginado e idealizado. Ajo como um homem apaixonado. Eu sou um Don Juan. Você mesma disse: um milhão de mulheres, e eu desejo apenas você. E por quê?
Porque quer ser só minha amiga?
Por estar com outro homem?
Por ser um sonho recorrente?
Não.
Há algo entre nós que nunca senti antes.
Você é, para mim, algo que desconheço. Transcende a matéria e é tudo o que compreendo.
Não sei a diferença entre a minha obsessão e o meu amor. Não é saudável nem certo, eu sei que sou complexo e difícil de lidar. O que quero dizer é que queria apenas te amar. Mas não amo, não amo.
Estou obcecado, desejando seu corpo e seu amor. Desejando ser seu.
E se isso passar? Minha querida beija-flor, não tem como passar. Estamos há quase uma vida presos um ao outro. Tenho certeza de que ficamos assim antes e, provavelmente, vamos continuar assim no futuro. Mas sabe? Não importa mais. Eu sei que não vai passar. Não tenho dúvidas quanto à minha parte.
Estou em casa agora. Na sua casa, no seu mundo ideal. Estou aqui, te esperando e procurando uma forma de te encontrar.
Vim a trabalho, então não sei se vai dar. Mas, por favor, se eu conseguir e a gente se vir, me reconheça.
Bom, sorria. Só um sorriso é tudo de que preciso. Por favor, mantenha seu foco em mim.
Assinado,
Jabuti.