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Manuscrito das três faces

miguelv341
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Görttlicher Einfall (3)

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Görttlicher Einfall (3)

Como o rodopio de um pião, a ferrugem se levantou. Dela, um dos quatro monarcas e três reis andou e, com seu caminhar, ao fim da passarela chegou.

Planando como um tecido branco pela correnteza do ar, dobrando-se e retorcendo-se até pousar no chão, a Dama Branca se apresentou:

— Sou aquela que plana pela passarela policromática, voando entre os bosques, saltando entre as ilhas e carregando o sangue do Rei Sereno.

E, dos fragmentos e estilhaços dos velhos mundos, o Rei Sereno se refletia, firme como uma âncora em meio a toda a tempestade chamada existência.

O Rei Sereno girou e voou; um rastro de penas rodopiava, juntando-se na besta branca de penas que se afinavam como um rastro no palco das grandes árvores de salgueiro. Estas cresciam no interior da gaiola dourada abaixo da barriga, transmutando no topo a figura raquítica de braços longos e finos, com sua cabeça esférica rodeada por um anel solar.

Traçando ondulações no espaço, criou rachaduras pelas quais a colossal besta passou, não estando presa às leis naturais do tempo e do espaço, mas moldando suas próprias leis e regras.

Viajando livremente entre as camadas, a criatura colossal — aquela gigantesca massa branca de penas — conectava o céu e a terra, causando um desequilíbrio intenso.

Deslizando entre as linhas cardeais das quatro direções, ela se formou, estilhaçando-se em dezenas de milhares de milhões de pedaços. Deles, sete dons celestes resplandeceram nas sete cores da alma, fluindo no cintilar de estrelas em um rio que seguia as incontáveis rachaduras espalhadas constantemente: azul (sabedoria), prata (entendimento), verde (conselho), azul-escuro (piedade) e roxo (temor de Deus), manifestados na totalidade da extensão da força magnífica e viva das veias do universo.

No ciclo incontestável do cosmo e da renovação, as veias do universo contraíram-se e convergiram no surgimento de um despertar iminente. Em uma autorreprodução de cenário aterrador, formou-se de maneira grotesca a união dos sete dons celestes e das veias do universo em uma membrana plasmática — uma fina película lipoproteica que aceitava a entrada e a saída na convergência das sete cores. Era uma existência que não podia ter sido criada ou formada no universo; a massa de células gigantescas e vivas pulsava violentamente, multiplicando-se em centenas num instante e cobrindo o interior da região gelatinosa (citosol), reunindo a fonte e o núcleo dessa célula.

No longínquo interior, transformavam-se fervorosamente em vasos sanguíneos recém-formados, que se erguiam como finos tentáculos sobre o vazio do espaço.

O primeiro capítulo desenrolou o seu fim com a manifestação do templo da iluminação ao centro da essência da estrutura central, na terra primitiva.

— Surgimento do início do primeiro sinal, a primeira revelação, a primeira das muitas ações que viriam adiante... — O cervo cinza contemplou junto de Noel, Satya Yuga, Treta Yuga, Dvapara Yuga e Kali Yuga, assistindo em esperança à promessa feita.

No caminhar da plataforma, ramificações se formavam. Os sacerdotes por ela terminavam a caminhada à frente do lorde das nove consciências.

— Convocados através do primeiro passo rumo à conclusão do grande plano. A audiência perante a presença de Al Dajjal, aquele que tudo vê.

— Tormento das sensações, o desejo do senhor dos desejos, Mara. Provação do labirinto das mentes conscientes. Vínculos formados nos laços: tempo, espaço e matéria, os pilares da essência.

— Cumpriremos a vontade imortal do lorde das nove consciências!

O vazio não vazio era tecido vivo, a singularidade formada; sofrida na contração do núcleo, uma onda atravessou sua estrutura e a pulsação gerou partículas, florescendo no desabrochar de botões negros.

A imensidão do venerável foi reduzida a um único ponto: uma ideia.

Repousando no trono, as magníficas asas brancas se fecharam. O sonho terminou e tudo retrocedeu ao nada, indo para além da existência e da inexistência... Göttlicher Einfall.