Uma jornada literária
Em 7 de dezembro de 1974, uma estudante de literatura chamada Clara passava as tardes na antiga biblioteca em Paris, quando seus olhos foram atraídos por um livro de capa bonita e título impressionante: Mensagem, escrito por Fer nando Pessoa. Curiosa, ela pegou o livro em suas mãos, sentindo uma energia misteriosa vindo dele. Ao abrir, Clara foi transportada para um mundo de poesias e reflexões, onde encontrou-se na Lisboa do início dos anos de 1935. As ruas estavam repletas de pessoas vestidas com trajes típicos da época e se divertindo. A estudante percorreu as suas ruas estreitas, observando lugares bonitos e poéticos que enchiam de encanto a cidade lisboeta. Ao entrar em uma cafeteria tradicional, Clara teve a sorte de encontrar Fernando Pessoa sentado em uma mesa, tomando café e envolvido em seus pensamentos. A adolescente se aproximou e lhe estendeu o livro que havia encontrado na biblioteca. Os olhos do escritor brilharam e encheram-se de lágrimas ao receber um de seus exemplares e, com gentileza, ele a convidou a sentar-se à mesa. Com um sorriso tímido, ele lhe apresentou um de seus poemas, explicando quais foram as inspirações que o fizeram criá-lo. Fernando leu em voz baixa o poema Presságio, mostrando como o amor se revela no silêncio e no olhar. Clara falou a Fernando Pessoa que, no seu poema, ele descrevia que sentia uma paixão muito grande, mas, na hora de falar com a pessoa de quem gostava, ele congelava e preferia ficar em silêncio. Ela ficou admirada com as palavras do escritor e acordou assustada na biblioteca, percebendo que tudo havia sido uma viagem literária. A estudante ao acordar percebeu que aquilo só tinha sido uma viagem ao tempo e o livro continuava aberto na página que continha o poema. Clara ficou olhando para ele por alguns minutos em silêncio. As palavras pareciam falar exatamente o que ela sentia, mesmo sem dizer nada. Ela fechou o livro e ficou se perguntando se ainda se lembraria daquele poema por muito tempo. A bibliotecária Elizabeth se aproximou, e a estudante de literatura perguntou se teriam outras jornadas, porque aprendera muito depois daquela viagem. Elizabeth pegou outro livro e lhe entregou: Vidas Secas, de Graciliano Ramos, que fala sobre a luta pela sobrevivência de uma família pobre que enfrentava a seca e a fome, ensinando a ser forte e ter esperança em tempos difíceis. Em seguida, mostrou a magia de O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, lembrando que o essencial é invisível aos olhos. Clara então apontou para uma estante onde havia um livro de capa bonita de Carlos Drummond de Andrade, Alguma Poesia, descobrindo os versos sobre os amores cruzados de João e Teresa. Por fim, Clara viu um livro chamado Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus. Elizabeth contou que la autora era uma catadora de papel que escrevia seu cotidiano e a fome enfrentada com seus três filhos em cadernos achados no lixo. A bibliotecária revelou que Carolina nunca perdeu a vontade de escrever e que, através de seus diários, conseguiu se tornar uma escritora de verdade, publicando obras de grande sucesso.