Ela viu uma flor lilás a caminho de casa
era pequena, daquelas que se colocam atrás da orelha
para enfeitar a beleza já existente
mas do que vale tal beleza se ela morre em poucas horas?
Murcha e se desfaz, seca como as folhagens do outono
Sem amor para regar, nada segue adiante
E agora ela se pergunta quem poderá amá-la
se o rubi se partiu em lágrimas novamente
Agora ela está cansada,
a casa bagunçada não é um lugar para se descansar
a casa bagunçada abriga coisas quebradas
e ela está quebrada outra vez
Sem flores para enfeitar o cabelo
e seu descanso está em uma lápide mal lapidada
Dançando entre túmulos
Sem as mesmas músicas que um dia lhe fizeram companhia
Tantas mãos estendidas
E nenhuma para segurar
pelo simples medo de atrapalhar
Ela se vira como pode, se vira sozinha
E vira para trás, cometendo os mesmos erros
de um passado tão dilacerante
Subindo a colina sozinha
Com o peso do mundo em suas costas
Na sua busca incansável pela paz
Sua mente, essa desgraçada companheira,
encontra maneira de sabotá-la
outra e outra vez
O sono não vem mais
E não há nada que se possa fazer
a não ser observar
a pequena flor lilás em seu canteiro