Andando por caminhos tortuosos,
Busco algum refúgio encontrar,
Capaz de guardar minh’alma e ossos,
Dando-os à paz que sabe acalantar.
Em marcha, sigo firme na busca.
Fatigado estou, mas não desisto;
Guerras só nos causam angústia,
Há quem lucre de fato com isto!
Indo sem me deter pelo caminho,
Julgado por muitos como louco:
Kamikaze! Diziam. Morrerá sozinho.
Lesos! Sei que acharei. Falta pouco.
Marchando, sigo desde o alvorecer;
Não me detenho, sigo quando tarda;
Ousando, sigo, apesar de anoitecer;
Parar jamais: sigo até na madrugada.
Quão longe tal marcha me esconde!
Rastros de fogo já não vejo mais;
Sombras de pó somem no horizonte,
Trecho final: adiante avisto um cais.
Umbrais dum novo mundo: enfim, abrigo.
Vejo luz na janela, o fogo manso;
Walhalla! Aqui não há mais perigo.
Xícara quente: a paz que agora alcanço.
Ypê em flor, um vento amigo
Zelo de estranhos; enfim, descanso.