Hoje percebo o quanto é importante estar preparada para os novos ciclos.Há alguns anos venho atravessando diferentes fases da vida. Algumas extremamente confusas; outras, profundamente satisfatórias do ponto de vista espiritual. E, com o tempo, comecei a compreender que as mudanças precisam ser acolhidas, ainda que nem sempre sejam fáceis de aceitar.Perceber que os ciclos fazem parte da vida é uma das maiores aprendizagens da vida adulta. Quando olhamos para a existência como um todo, entendemos que novos ciclos começam o tempo inteiro. Desde o momento em que saímos do ventre de nossas mães, quando iniciamos o primeiro grande ciclo da nossa existência, estamos constantemente encerrando etapas e começando outras.Por muitos anos, não aceitei as mudanças com bons olhos. Não sabia agradecer pelos finais, principalmente quando eles significavam deixar para trás algo que me trazia segurança, conforto ou familiaridade. E talvez isso também faça parte de ser humano: resistir ao que termina, mesmo quando o fim está abrindo espaço para algo melhor.Acredito que o conforto da rotina também nos torna resistentes às mudanças. Afinal, tudo aquilo que é novo assusta. Nosso cérebro interpreta o desconhecido como algo estranho, e até o nosso corpo pode reagir a ele. Sentimos medo, ansiedade, insegurança… como se estivéssemos diante de algo que não sabemos se seremos capazes de enfrentar.
Mas hoje aprendi a olhar para as mudanças de outra maneira.
Hoje sou grata até mesmo por aquelas que me tiram do meu conforto. Porque compreendi que, muitas vezes, é justamente quando somos obrigados a sair da nossa zona de segurança que encontramos espaço para crescer, amadurecer e evoluir.Ainda me pego, muitas vezes, pedindo a Deus e aos meus ancestrais que me guiem. Peço que novos caminhos se abram, que boas intuições cheguem e que eu tenha sabedoria para reconhecer os sinais quando eles aparecerem.
Confesso que, em alguns momentos, ainda perco a fé.
E tudo bem.
Eu sou humana.
Talvez ter fé não seja nunca duvidar. Talvez seja continuar caminhando mesmo quando a certeza desaparece por alguns instantes.
Porque, no fim, tudo aquilo que é novo assusta. Até um bebê, inocente e sem conhecer os perigos do mundo, chora diante do desconhecido.
Aprender que nem todo fim é uma perda.
Nem toda mudança é um castigo.
Nem todo caminho desconhecido deve ser temido.
Alguns finais são apenas portas se fechando para que outras possam se abrir.
Hoje, quando um ciclo termina, ainda sinto medo.
Mas, pela primeira vez, também consigo sentir gratidão.
Porque aprendi que a vida não está me tirando alguma coisa.
Ela está me preparando para aquilo que ainda não consigo enxergar.