CÔMODOS, PLAUSÍVEIS
Chegar em casa longe dessas andanças é sempre um alívio; não ter muitas desavenças é outro ainda melhor. Difícil é não cochilar em conduções, acaba acontecendo!
Bem, ainda me recordo de quando era guri e vivia com a facilidade de minha família. Era tudo muito relaxado, pois não precisava fazer força pra minha própria comida ou pra arrumar a casa. A verdade é que sempre me senti bem vagabundeando, é... como vagabundo de férias mesmo! E olha... todos tínhamos um estranhamento, muitos anos deles. Cansamos uns dos outros, já era hora, enfim. Era um casamento em declínio.
Nada como a total independência. Sim, a independência. Ahhhhh... Ela faz um homem muito realizado, mesmo com as dificuldades da vida solitária, como chegar em casa e não ter o que comer e precisar preparar tudo na hora — ainda com muita fome! Isso arrebenta! E você tem que limpar o recinto, mesmo que não com tanta voracidade como as mães pedem; você deve pagar as contas, economizar... estou dizendo, todos esses tipos de dores de cabeça zoadas. É um papo morto.
Bom, o que importa é minha vida nova. A antiga é só o que já era.
Agora tenho a oportunidade de repor energias, descansar, dormir tranquilamente etc, etc e tal. Depois de um dia longo, só penso em descansar, e tudo no meu lar como deixei.
Mas não vou dizer que, hunf... O certo é que medito acerca daquelas pessoas. Todos ainda me deixam intrigado, pois também sou uma pessoa. Lembro das imagens passadas, toda a liberdade e libertinagem não têm um sentido? Desastres, assassinatos, comida quente, o que pode haver de relação? Como achar sentido? O que é sentido, afinal?
As pessoas só querem ser amadas e satisfeitas — é, eu vi, um abraço, como lhes faz falta.
Beijar o céu é difícil, mais difícil ainda para uns. Ao mesmo tempo, o que é? É a minha, é a nossa busca eterna. Homens e mulheres, todos tentando se entender. Todos com suas armas, manias, formas de matar o tempo. Matar, e acabar uns com os outros, porque não sabemos mais viver juntos. Mas, no final, o que vem mostras simples vence, e voltamos até nós mesmos, em casa, para a busca primária, aquietar. E dormir. Facilita estender a vida.
Tudo o que foi feito vem à tona. Mas alguém como eu ainda tem chance de errar de novo; errar é sempre o mesmo, tem que aprender! Longe de tudo, daqui da cama, reflito sobre estas tantas coisas, e chego à brutal conclusão de que tudo sempre volta de uma forma ou de outra. E é latente. Sempre volto para essa ilha.
Tenho que cair, amanhã eu volto. Deixo esta reflexão inacabada, caros leitores, deixemos Nicolas cuspir o que for, é um vazio de caridade. Todas essas suas mentirinhas! O que parecia “detalhe”, “banalidade”, só desencadeia sua voz inominada, que matou, feriu e fugiu. Não que aqui seja um tribunal, mas são tantos fatos que qualquer sentença se aplica.
Os Sonhos, Nicolas_ 2026, Reedição_ (Ed. Presente)_ Parte 3