Das quimeras que colhi pelo mundo,
faço a rima cujo verso inundo,
quando compondo sob um céu profundo,
urdindo a trama na qual vou a fundo.
Ávido amante do transe e do mito,
buscando o eco no que é infinito,
dando uma voz ao mistério bendito,
em meio ao uivo do lobo maldito.
Ergo o silêncio que a noite pedia,
nesta agonia que a alma sofria,
e a própria ausência se fez profecia.
Perante o falso destino que havia,
o peito abriga o fulgor que trazia,
e a lira entoa a canção que nascia.