Eu Só Sinto
Eu sei, senti, esperei.
Seu destino está nos olhos,
teu caráter, no olhar.
Suas imundícies estão no coração.
Uma sujeira moral que você carrega,
mas não parece ter coração,
tampouco sabe amar,
imagina desejar.
Imagina meu prazer,
um sonhado gemido,
ou o famoso trio do orgasmo.
Até parece que meus lençóis
escondem tantos segredos,
minhas luxúrias...
Imagina o botão da sua camiseta,
o cheiro de outra,
a marca de um batom,
ou o cheiro de cigarro.
Até lábios envenenados,
como um doce vinho seco,
como as raízes do seu passado,
como um coração ressecado.
Seu corpo pode ser algodão,
porque ele só está na imaginação,
ou talvez no que escrevo.
Porque você já morreu.
Hoje eu choro sobre a tumba,
cinzenta e fria,
para dizer tristeza,
luto ou talvez...
A viúva encontrou felicidade.
Quando te beijo em seu último suspiro,
tu te arrependes de tanta traição.
O gosto era mel,
hoje é limão.
Que solto eu o veneno,
mais profundo, mais obscuro.
Quem sou eu?
Ainda não me encontrei.
Estou perdida na ponta do rio,
tanto chorei
que minhas lágrimas se tornaram
minha enchente e meu próprio banho.
Água e lama, meu grande pecado
foi te amar.
Mas para ti
fui apenas uma aventura de verão.
Ana Cristina Poronhak de Carvalho
ESSE GANHO POESIA..