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EU ME PERDI DE MIM

MayaraLisboa

Conteúdo da publicação

(Por Mayara Lisboa)

Eu não sei exatamente quando aconteceu.

Não teve um dia específico.

Nem uma conversa definitiva.

Nem um momento claro de ruptura.

Foi acontecendo devagar.

Quase imperceptível.

Um acúmulo silencioso

de coisas que eu fui engolindo

sem perceber o tamanho que estavam tomando.

Porque a verdade é simples —

e difícil de aceitar:

ninguém se perde de uma vez.

A gente se perde aos poucos.

Eu fui me deixando para depois.

Ignorando o que sentia.

Minimizando o que doía.

Aceitando, em silêncio, o que me machucava.

Ficando…

mesmo quando já não fazia sentido ficar.

E não era força.

Era crença.

Eu acreditava que amar

era aguentar.

Era ceder.

Era esperar.

Então eu fui abrindo mão de mim.

Primeiro das minhas vontades.

Depois da minha voz.

Depois da minha verdade.

Até que, um dia, eu me olhei…

e não me reconheci.

Mas o mais assustador não foi isso.

Foi perceber

que eu mesma não tinha percebido

quando deixei de existir em mim.

Eu não me perdi de repente.

Eu fui me adiando.

E quando finalmente olhei pra mim…

quase não havia mais nada ali.

Thoughts

  • arcorelic

    isso é tão real. parabéns, você escreve muito bem. 👏

    Permalink
  • rmoraes52

    Crença é tudo mesmo. A gente acredita que amar é isso e passa a vida acreditando.

    Permalink
  • Ovid

    Você escreveu isso tudo bem. E o pior é sempre quando a gente finalmente vê.

    Permalink
  • poupanca95

    Você tem mais coisas publicadas por aqui?

    Permalink
  • paulaozinho

    Aí depois quando você percebe que virou outra pessoa, é tipo acordar de um plantão de 12 horas e ver que o dia já era.

    Permalink
  • oquefaltadizer

    Esse "acúmulo silencioso" é exatamente isso. Ninguém vê acontecer.

    Permalink

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