PERGUNTA DE UM JORNALISTA A ELIEZER BATISTA:
A gente lida muito mal com a ideia de morte. Às vezes, vejo mães que não deixam as crianças verem um animal morto e evitam falar desse assunto com os filhos. Como o senhor, lida com o assunto finitude?
ELIEZER : " Um poeta alemão já disse que o problema não está na morte, mas no morrer. Ou seja, o que assusta é o sofrimento físico e mental."
"Eu já passei por três momentos muito próximos da morte. Primeiro você pensa nas pessoas da família, segundo naqueles que dependem de você, e terceiro, e muito importante, é se eu fiz mal para alguém". (Eliezer Batista)
Por diversas vezes tive esse tipo de conversa com Eliezer, que não gostava de ser chamado de doutor.
Coincidentemente hoje, eu também estive bem perto da morte por três vezes. Na primeira quando eu tive malária falciporum nos tempos de Estrada de Ferro Carajás no PA nos anos 90
Já em final de 2021 tive COVID e pneumonia juntos. "Morei" 35 dias no hospital. Entrei em 02/11/2021. Entrava no hospital com COVID e pneumonia e sai em 07/12/2021 . Mesmo vacinado duas vezes.
No dia 07/01/2022 um infarto quase me matou e fui obrigado a colocar 3 stents no coração.
São experiências que nos marcam . Fazem parte da vida e do universo...
Concordo com Eliezer e um tipo de "filme" que passa por nossa mente, de uma imagem muito sólida daquilo que nos marca e se mistura, na pergunta: qual minha missão? o que fiz?
Em duas vezes em que estive mais grave, vi um túnel amplo, bem iluminado com pessoas indo e voltando, algumas vestidas de branco e em outra vez; esse mesmo túnel com umas portas nas laterais de cor verde bem claro.
Muitas outras pessoas de um mix de crenças e religiões relatam essas coisas. Isso é mostrado na INTERNET EM wikipédia: Experiência de Quase Morte e indiferente de religião muitos têm essa visão. Há milhões de relatos desse assunto.
Tudo isso tem forte correlação com nosso comportamento humano, diante tais circunstâncias em que vivemos... perto da morte e na ânsia de nos despedir.
Acho que somos preparados 9 meses para nascer. E para morrer? A doença pode nos impor esse preparo para a morte. Aprendemos que a morte é mesmo tão natural como o nosso nascimento e que essas experiências nos familiariza com a morte. Na realidade "amadurecemos para morrer". Hoje não tenho mais nenhum medo da morte!
A mensagem maior, o pensamento maior para mim, e Eliezer também pelo que ouvi dele algumas vezes; é que temos de deixar uma obra, nesse pensionato que chamamos de planeta terra. Pequena ou grande, mas temos de deixar.

Dando a nossa certeza plena, toda nossa merecidamente; de que podemos partir, deixando alguma lembrança, ou legado de que fizemos, ou tentamos fazer algo para ajudar outras pessoas, que necessitaram de nossa ajuda. Essa é a missão cumprida!
"O mais importante da vida, neste pensionato, que chamamos terra é deixar uma obra, grande ou pequena. Não importa. As pessoas precisam da gente, e temos de ajudá-las" (Eliezer Batista)
Tenho conversado com diversos amigos que concordam plenamente comigo e que me mostram outras verdades. Outros já ouviram relatos de pessoas que estiveram perto da morte idênticos aos meus sobre o túnel iluminado que vi e narrei.
O termo experiência de quase-morte refere-se a um conjunto de visões e sensações frequentemente associadas a situações de morte iminente, sendo as mais divulgadas a projeção da consciência, a "sensação de serenidade" e a essa "experiência do túnel".

Eliezer dizia também que o mais sofrível é os pais enterrarem um filho. O que é diferente da lógica humana. A perda de um filho é ferida que não cicatriza fácil! Vai para toda a vida – essa dor terá momentos que se converterá em saudade, mas nunca será menor.
Os pais ficam perdidos na sua dor, um vazio inconsolável, um lamento interminável! Tenho amigos que passaram por isso, e é fato! Esse tipo de dor pode ser intensificada pelo motivo da morte de um filho ser caracterizada como uma espécie de inversão do ciclo natural da vida, em que “os filhos enterram os pais"

Diante da inversão do curso da vida, em que a mãe ou o pai se vêem na situação de sepultar o filho, como lidar com essa perda repentina? Isso não é comum!
A tristeza pela morte é algo comum, sabemos que nascer e morrer são as únicas certezas da vida, mas a morte gera um sentido diferente. Muitas reações ocorrem entre nós, mas no meu caso; assimilei essas coisas de uma forma que me amadureci para morrer! Mas de forma natural, vivi situações adversas 3 vezes.
SÍNTESE DO ASSUNTO:
Experiência de Quase Morte (EQM): Um conjunto de percepções cognitivas e visuais vívidas (como paz intensa, visão de um túnel ou luz e sensação de estar fora do corpo) relatadas por pessoas que sobreviveram a paradas cardíacas, comas ou traumas graves.
A Experiência de Quase Morte (EQM) é um fenômeno complexo e amplamente documentado que ocorre quando uma pessoa passa por um estado de morte clínica ou risco iminente de vida (como uma parada cardiorrespiratória) e, ao ser reanimada, relata memórias e percepções sensoriais extraordinárias.
Estima-se que existam milhões de relatos pelo mundo, com pesquisas indicando que entre 4% e 10% da população geral (podendo chegar a 23% em pesquisas recentes nos EUA dependendo do critério de amostragem) já vivenciou uma EQM, subindo para 10% a 20% dos pacientes que sobrevivem a paradas cardíacas.
Longe de ser pouco estudado, o tema é objeto de extensas pesquisas neurocientíficas, médicas e psiquiátricas há décadas.
O Parecer da Ciência, Medicina e Psiquiatria
A ciência médica oficial não valida a EQM como uma prova literal de vida após a morte, mas a reconhece como um fenômeno clínico real e profundamente impactante. Há um embate entre duas correntes:
Visão Reducionista / Neurobiológica: Médicos e neurocientistas propõem que as visões (túnel de luz, sensação de flutuar) são provocadas por alterações químicas e físicas no cérebro agonizante. Fatores como a anóxia (falta de oxigênio), a ativação do giro angular e a liberação massiva de neurotransmissores (como serotonina, endorfina e dopamina) explicariam o sentimento de paz e as alucinações visuais.
Visão Não-Local (Cientistas Dissidentes): Pesquisadores renomados, como o Dr. Bruce Greyson (Universidade da Virgínia) e o Dr. Pim van Lommel, apontam falhas nos modelos puramente físicos. Eles destacam que os pacientes demonstram uma consciência hiperativa e nítida exatamente no momento em que o eletroencefalograma aponta atividade cerebral nula, sugerindo que a consciência pode funcionar de forma independente do cérebro.
O que dizem a Psicologia e a Saúde Mental
A psicologia foca no impacto transformador e clínico da experiência:
Pós-EQM Positivo: A maioria das pessoas muda drasticamente seus valores. Há uma redução drástica ou perda total do medo da morte, aumento da empatia, altruísmo e busca por espiritualidade não necessariamente dogmática.
Consequências Desafiadoras: Estudos, como os da USP, revelam que existem também EQMs perturbadoras (vazio absoluto ou sensações assustadoras). Isso pode gerar hipervigilância, Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) e dificuldades de reintegração social. Psicólogos analíticos (como Carl Jung, que teve sua própria EQM em 1944) veem esses relatos como manifestações profundas do inconsciente coletivo e de arquétipos universais.
A Visão Sistêmica e Holística
Sob a ótica sistêmica e holística, o ser humano é visto como um composto integrado de corpo, mente e espírito, indissociável do tecido do universo.
A EQM deixa de ser encarada como uma falha biológica para ser compreendida como um portal de despertar de consciência.
Nessa visão, o cérebro não "produz" a consciência, mas atua como um receptor ou filtro (como um aparelho de televisão que sintoniza um sinal externo). Quando o corpo físico falha, a consciência se expande e retorna à sua matriz original e multidimensional.
Crenças e Religiões
As tradições espirituais interpretam o fenômeno de acordo com suas próprias teologias, embora os relatos de EQM possuam uma estrutura surpreendentemente universal que atravessa diferentes culturas:
Espiritismo: Vê o fenômeno como uma prova empírica da emancipação da alma e da imortalidade do espírito. O desdobramento espiritual (ou experiência fora do corpo) corrobora as obras de Allan Kardec sobre a transição para o plano espiritual.
Cristianismo (Catolicismo e Protestantismo): Frequentemente interpretam a luz e o sentimento de amor como o encontro com Deus, Jesus ou anjos. Historicamente, visões do além serviam como reforço teológico sobre a existência do Céu e do Inferno.
Religiões Orientais (Budismo e Hinduísmo): Enxergam a EQM como o vislumbre do estado de Bardo (o plano intermediário entre a morte e o renascimento) ou uma amostra do desapego do ego físico em direção à iluminação.
Visão Comparativa das Abordagens da EQM
Perspectiva | Causa Primária da EQM | Significado do Fenômeno |
Ciência / Neurobiologia | Falta de oxigênio (anóxia) e reações químicas cerebrais. | Um mecanismo de sobrevivência ou pane do cérebro no fim da vida. |
Psicologia / Psiquiatria | Resposta psicológica ao trauma / Arquétipos do inconsciente. | Uma experiência subjetiva que reorganiza profundamente a psique. |
Visão Holística | Separação temporária da consciência não-local do corpo físico. | Um despertar de consciência e integração com o todo espiritual. |
Religiões / Crenças | Desprendimento da alma ou espírito do corpo de carne. | Evidência da vida após a morte e contato com o plano divino. |