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Entre Mingone 1 e Mingone 2

A_Lusivian
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A ponte desabou, casas perdidas... no fim era culpa de uma empresa que se escondeu. Famílias brigavam enquanto alguém mais lucrava.

A ponte desabou, casas perdidas... no fim era culpa de uma empresa que se escondeu. Famílias brigavam enquanto alguém mais lucrava.

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Entre Mingone 1 e Mingone 2

Em Lusiviane, havia duas regiões separadas pelo Rio Branco: Mingone 1 e Mingone 2.

Do lado de Mingone 1 vivia a tradicional família Montenegro. Do outro lado morava a respeitada família Valença.

Décadas antes, as duas famílias eram amigas. Construíram juntas a primeira ponte sobre o rio e ajudaram a desenvolver toda a região. Mas, durante uma forte enchente, a ponte desabou. Muitas pessoas perderam suas casas, e as acusações começaram.

Os Montenegro diziam que os Valença haviam usado materiais de baixa qualidade.

Os Valença respondiam que os Montenegro tinham desviado o dinheiro destinado à obra.

Nenhuma investigação conseguiu provar quem dizia a verdade.

O tempo passou.

Os responsáveis morreram.

A verdade desapareceu.

Mas o ódio permaneceu.

As crianças cresciam ouvindo as mesmas palavras:

— Nunca atravesse para o outro lado.

Foi nesse ambiente que nasceram Júlia Montenegro, em Mingone 1, e Augusto Valença, em Mingone 2.

Quando completaram quinze anos, as escolas das duas regiões participaram de uma olimpíada de conhecimento realizada em uma cidade vizinha.

Augusto entrou na biblioteca do evento procurando um livro de história.

Ao esticar a mão para pegá-lo, outra mão fez o mesmo.

— Pode pegar — disse a garota.

Augusto sorriu.

— Não... você viu primeiro.

Ela riu.

— Então lemos juntos.

Os dois se sentaram à mesma mesa.

Conversaram por horas.

Falaram sobre estudos, música, sonhos e sobre como gostariam de conhecer o mundo.

Nenhum dos dois perguntou de onde o outro vinha.

Até que um professor chamou:

— Júlia Montenegro!

Augusto congelou.

Ela também leu o crachá dele.

— Você é... Valença?

Ele respondeu em voz baixa:

— Sou.

Os dois ficaram em silêncio.

Depois de alguns segundos, Júlia sorriu.

— Você não parece um inimigo.

Augusto respondeu:

— E você não parece a pessoa horrível que me ensinaram a odiar.

Os dois começaram a rir.

Naquele instante nasceu uma amizade.

Com o passar das semanas, eles passaram a se encontrar escondidos perto das ruínas da antiga ponte.

— Você acredita que um dia nossas famílias façam as pazes? — perguntou Júlia.

Augusto olhou para o rio.

— Acho que elas esqueceram até por que brigam.

— Então alguém precisa lembrá-las de que existe outro caminho.

Certo dia, um morador viu os dois conversando.

A notícia chegou rapidamente às duas regiões.

Naquela noite, os chefes das famílias se reuniram.

O pai de Augusto bateu na mesa.

— Um Valença jamais ficará ao lado de uma Montenegro!

Do outro lado do rio, o avô de Júlia dizia a mesma coisa.

Mesmo proibidos de se encontrar, eles não desistiram.

Dias depois, Augusto apareceu na antiga ponte.

Júlia já o esperava.

— Meu pai descobriu tudo — disse ela.

— O meu também.

Ela respirou fundo.

— Está com medo?

Augusto respondeu:

— Estou.

— Então por que veio?

Ele sorriu.

— Porque seria pior nunca mais ver você.

Júlia segurou sua mão.

— Eu também pensei isso.

Naquele momento, alguns moradores das duas regiões chegaram à ponte.

Os gritos começaram.

Mas, antes que a discussão aumentasse, uma senhora muito idosa caminhou lentamente até o centro da ponte.

Seu nome era Dona Helena.

Ela havia participado da construção da primeira ponte quando era jovem.

Com a voz firme, disse:

— Vocês brigam há quarenta anos por uma mentira.

Todos ficaram em silêncio.

Ela abriu uma velha caixa de madeira.

Dentro estavam documentos e cartas guardados desde a época da enchente.

As cartas mostravam que nem os Valença nem os Montenegro haviam causado o desastre. A ponte havia caído porque uma empresa contratada usou materiais defeituosos e escondeu o problema.

As duas famílias tinham passado décadas alimentando um ódio baseado em uma falsa acusação.

Ninguém conseguiu dizer uma palavra.

O silêncio tomou conta da ponte.

O pai de Augusto olhou para o pai de Júlia.

Depois de muitos anos, os dois apertaram as mãos.

Naquele dia, a antiga ponte foi reaberta.

Não apenas para ligar Mingone 1 e Mingone 2, mas para unir novamente pessoas que haviam deixado o orgulho falar mais alto que a verdade.

Augusto e Júlia permaneceram juntos.

Os moradores costumam dizer que a paz entre as duas regiões não começou com um tratado, nem com uma reunião.

Começou quando dois jovens decidiram conversar antes de julgar.

E, desde então, sempre que alguém atravessa a velha ponte de Mingone, lembra que o ódio pode atravessar gerações, mas basta um gesto de coragem para começar uma nova história.

Thoughts

  • religioes_lado_a_lado

    Dona Helena trazendo a verdade pra paz... tem um padrão antigo. Como funciona essa história?

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  • mais_valia_pra_quem

    A ponte desabou, casas perdidas... no fim era culpa de uma empresa que se escondeu. Famílias brigavam enquanto alguém mais lucrava.

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  • treta_com_nexo

    tipo dois adolescentes conversam e tchau gerações de ódio? muito plot armor mesmo 💀

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  • de_onde_vem_a_palavra

    Mingone 1 e Mingone 2... esses nomes têm uma história por trás? Ou é só rótulo?

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  • arquivo_da_cidade

    Por que Dona Helena guardou tudo sem contar pra ninguém por quarenta anos?

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