DESTINO
Eu vim do céu.
A cegonha me trouxe,
enrolada em pano,
dobradinha numa fralda.
Voa, voa, voa,
até o país certo,
a cidade exata.
Maldição: Cascavel.
Cacos e ferpas.
Desfiguração.
Alma do espírito.
Apenas os muros
de Jericó.
Como nada entra,
nada sai.
Tudo é silêncio.
Sair ou entrar,
viajar
ou passear.
A certeza...
Que guerra tão incerta,
quanto a nação Polônia,
terra dos ancestrais.
Apenas caminho
sobre serpentes.
Tento me defender
para ser picada.
Não morro
envenenada.
Apenas fugir para Curitiba.
Aprender que ser vidente
é muito mais do que espiritualidade.
Não é conversar com os mortos.
É ler pensamentos humanos.
Ou ver anjos.
Um acidente.
Ou até pânico.
A cidade da fama
que me levou
ao hospício.
Ali entendi e compreendi
que o destino
é um sinal de todos os dias.
Fazer o bem ou o mal.
Ou tirar a sorte nas cartas.
Ou ver o próprio futuro.
Bora tomar um café.
Apenas viajar
para a missão.
Destino.
Se nada corrompe,
apenas me perco
olhando para o mar.
Uma taça de vinho,
brindando minha ferida.
Logicamente,
poeta, se liga.
Dança e música.
Tudo congela
perante o jornalista.
Some por um instante,
como se nunca tivesse nascido.
Perde-se
numa fotografia em preto e branco.
Quando seca,
nada resta.
Somente o não existir.
Mas eu sonho
com o destino.
Ana Cristina Poronhak de Carvalho