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Desguardo-me

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Conteúdo da publicação

Desde a primeira marca de pés na lama

O homem fica mais longe de si

Observando o brutalismo do coração

A bruttissima arquitetura do homem-deus

A ingenuidade que beira a maldade

Um arqueólogo sem propósito

A fragilidade à margem do céu

Não descarto o que fui e não serei somente o fim dos passos

Serei as intermitências e os acasos

As contradições e fracassos

Mas não serei catalogado

Nem em diários

Nem em projetos de um futuro enlatado

Nas vias de pensamento

Atravessarei cada pedágio

Não lembrarei de todo mal que passei

Também não fiz todo o bem

Apenas continuei

Não diferenciei os fantasmas das sombras

Ainda encontro moedas no caminho entre as pedras

E quando necessário estenderei as mãos desorgulhosas

E descavarei constelações em idas e vindas

Desguardo-me

Reintegro-me

Serei eu até o fim

Até o fim serei eu

Thoughts

  • cidadeCara

    O futuro enlatado me fez rir, lembra planta de apartamento decorado onde ninguém mora de verdade.

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  • dcabral51

    Gostei de achar moedas entre as pedras, um detalhe pequeno no meio do brutalismo. “SOLIDÃO” é um poema que também fecha num jogo de espelho, ali entre o eu e a solidão.

    Permalink
  • dcabral51

    Atravessar cada pedágio e ainda achar moeda entre as pedras soa como gente que segue andando sem fazer a conta do que perdeu. Gostei do pedaço em que ele admite que também não fez todo o bem.

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