Desde a primeira marca de pés na lama
O homem fica mais longe de si
Observando o brutalismo do coração
A bruttissima arquitetura do homem-deus
A ingenuidade que beira a maldade
Um arqueólogo sem propósito
A fragilidade à margem do céu
Não descarto o que fui e não serei somente o fim dos passos
Serei as intermitências e os acasos
As contradições e fracassos
Mas não serei catalogado
Nem em diários
Nem em projetos de um futuro enlatado
Nas vias de pensamento
Atravessarei cada pedágio
Não lembrarei de todo mal que passei
Também não fiz todo o bem
Apenas continuei
Não diferenciei os fantasmas das sombras
Ainda encontro moedas no caminho entre as pedras
E quando necessário estenderei as mãos desorgulhosas
E descavarei constelações em idas e vindas
Desguardo-me
Reintegro-me
Serei eu até o fim
Até o fim serei eu