DE BOCA EM BOCA
Como já sabe Deus e todo mundo:
“A palavras loucas, orelhas moucas…”
Mas belas, alta noite, quase roucas,
Apuram um encanto sem segundo:
— "Mil astros há, no fundo céu profundo,
A conjurar d'amor as horas poucas!..." —
Dizem a alucinar, como se loucas,
Por desejo d'um tempo mais fecundo.
E fazem simpatias, sortilégios,
Feitiços de paixão, poções d'amor...
Até tiram a sorte em seu favor!
De boca em boca, entoem florilégios,
Até que o cantar de artes amorosas
Às belas faça, enfim, maravilhosas.
Betim - 13 05 1993