Caminhando na escuridão da vida,
Me perguntando se aquilo valia.
Valia ou só estava me deixando perdida?
Me perguntava: cadê eu?
Quem acabei me tornando?
Com o que estou lidando?
Me via como alguém destemida.
Bem, isso que eu pensava,
Até notar que eu era apenas perfeccionista.
Será que sempre fui assim?
Me tornei alguém que nunca quis?
Questionei até chegar ao meu quarto
E, em cima da cama, ver uma caixa.
Uma caixa pequena, leve como uma pena.
Ao abri-la, vi uma menina.
Era alegre até para quem latia.
Estava sozinha e brincando,
Até me ver a encarando.
— Amiga, não era isso que você queria.
Não era isso que queríamos.
Por que agora está tão fria?
Pensou que só você existia?
Encarei-a por vários minutos,
Me perguntando: quem é a "sabe-tudo"?
Quem é essa que sorri para o mundo?
Espera... ela se parece comigo.
Espera... sou eu enquanto vivia,
Quando sonhava e ria.
Espera... ela nunca foi embora.
Apenas fui eu quem a deixou para trás,
Para entrar em um mundo que só desgraça me traz.
Desculpa, jovem amiga.
Pode me trazer de volta à vida?