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Puta, Virgem: O Conto do Meu Coração

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Puta, Virgem: O Conto do Meu Coração

Dizem que as aparências enganam. A minha enganou por muitos anos.

Aos olhos de muitos, eu era apenas mais uma mulher bonita, desejada, cercada por olhares, convites e fantasias. Diziam que eu parecia uma prostituta, uma mulher feita para o prazer dos outros. Ninguém perguntava quem eu realmente era. Ninguém perguntava sobre meus sonhos, meus medos ou minha verdade.

Durante anos vivi cercada por olhares masculinos. Foram cinquenta e sete homens que cruzaram meu caminho. Alguns queriam apenas um beijo. Outros imaginavam dividir uma cama comigo. Muitos me enxergavam como um corpo. Poucos tentavam conhecer meu coração.

O mais curioso é que ninguém sabia que, por trás da imagem que criaram de mim, existia uma mulher virgem. A fantasia dos outros era maior do que a realidade da minha vida.

Aos dezesseis anos começou um jogo. Um jogo de olhares, de sedução, de curiosidade e descobertas. Aos dezenove, parei. Aos vinte e um, a vida me levou novamente para esse mesmo caminho.

Houve momentos difíceis. Em uma blitz policial, vivi uma situação que me assustou profundamente. Um policial ultrapassou os limites do respeito e me fez sentir vulnerável. Naquele instante compreendi como uma mulher pode ser julgada apenas pela forma como está vestida ou pelo lugar onde está.

Vieram os bares, as baladas, os encontros, os beijos inesperados, as pessoas que apareciam e desapareciam. Alguns entravam na minha vida por acaso. Outros apenas deixavam marcas e lembranças.

Em 2016 aceitei meu primeiro pedido de namoro. Pensei que fosse o início de uma grande história, mas não estava preparada. Quinze dias depois tudo terminou. Nem sempre o amor acontece no tempo que desejamos.

Ao longo dos anos descobri que o desejo existe, mas também existe o vazio. Descobri que a curiosidade nem sempre corresponde à realidade. Descobri que muitas pessoas escondem suas próprias perversidades enquanto julgam a vida dos outros.

Hoje, mais madura, olho para trás sem vergonha. Cada experiência, cada dor e cada julgamento fizeram parte da mulher que me tornei.

Este não é um conto sobre prostituição. É um conto sobre aparência, preconceito, desejo, escolhas e amadurecimento. Sobre uma mulher que foi chamada de muitas coisas, mas que nunca deixou de buscar sua própria verdade.

Escrever é a maneira que encontrei de transformar minhas lembranças em poesia. Talvez alguns critiquem. Outros se identifiquem. Mas este livro não nasce para agradar a todos.

Ele nasce para contar a história do meu próprio coração.

ANA CRISTINA PORONHAK DE CARVALHO