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CIÚMES DE UM PSICOPATA

ANAPORONHAK
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CIÚMES DE UM PSICOPATA

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CIÚMES DE UM PSICOPATA

Se lembra de cada parada,
de trem de memória.
Vou ter lágrimas,
vaso de luto,
de amargura.

Realmente, não nasci para ser amada,
somente usada como sabonete vagabundo.

Música e dança,
se perde a alegria.
Cada viagem
se torna traição,
mentira que levei
ao meu coração.

Fui guardando cada época,
cada velório,
cada cortejo,
cada livramento,
como minha ferida.

Se chama umbrais,
praticamente inferno espiritual,
que está na mente,
dentro do coração.

Como se nem ouvisse
ou sentisse,
realmente sentindo o adultério.

Apenas como o tempo:
cigarro, bar, drogas,
vazios das brigas de Ano-Novo.

Casa linda, grande como palácio,
de cada um à sua maneira.
Tudo que era presente
se tornou uma masmorra.

Não segura nem para mim,
nem para os filhos.
Apenas quis não adorar.

Você conhece meu coração.
Todos podem entender
o que vi.

Uma viúva, em um cortejo,
pode fazer tudo,
mas não chora,
não pede perdão.

Apenas raspa o cabelo,
vive um luto profundo,
faz jejum
para jamais ter outra esposa
em seu lugar.

Bem-amada,
mas ela morre
sem nunca ter sido ouvida.

Apenas fica a memória,
o número,
o nome.

Morreu seu cortejo,
também sua alegria acabou.

Porque dois amados morreram
nos meus dias.

A viúva ficou abandonada,
numa profunda solidão,
buscando algo
que nunca encontra
no coração.

Ana Cristina Poronhak de Carvalho