Cicatriz que Não Sara
Cada vez mais você destrói
o pouco que restava entre nós.
A cada palavra, um nó,
a cada gesto, um fim sem voz.
Pensei em te perdoar, de verdade,
de apagar o que tanto doeu,
mas percebo com clareza e crueldade
que aquilo nunca se desfez, nunca morreu.
Não há volta para o que fomos,
não há como remendar o quebrado.
Mesmo que eu dissesse “te perdoo”,
o laço já estaria despedaçado.
E hoje, se não fosse essa casa,
essa rotina que me prende à tua presença,
eu teria cortado de vez, sem ameaça,
sem saudade, sem clemência.
Não quero teu perdão, nem tua amizade.
só quero, enfim, minha própria paz.