(Batida pesada, melancólica, som de chuva ao fundo)
Verso 1
Caminho da escola, o peito apertado
Olhar para o chão, com medo do lado
O sinal tocava, batia o terror
Entrar na sala era entrar na dor
Risinhos no canto, piada sem graça
A humilhação que nunca passa
Apelido cruel jogado na cara
Ninguém estende a mão, ninguém para
O caderno rasgado, o estojo no chão
Riam da roupa, da sua condição
E o peso no peito subindo o degrau
Visto por todos como o garoto anormal
Refrão
Ninguém ouviu o grito no silêncio do quarto
A alma chorando, o cansaço do farto
Cicatrizes na mente que o tempo não some
No fundo da classe, esqueceram seu nome
Um eco na noite, um pedido de ajuda
Mas o mundo ignora, a escola emudece e muda
Verso 2
Na hora do recreio, isolado no muro
O lanche na mão, o futuro escuro
Alguém passa e empurra, o suco derrama
A plateia aponta, o sistema inflama
"Ele é fraco, é bobo, não vai reagir"
E o garoto só quer sumir, desaparecer dali
Volta pra casa com a marca na pele
Mas a pior ferida é a que a alma expele
A mãe pergunta o que foi que aconteceu
Ele força um sorriso: "Nada, o dia correu"
Trancado no quarto, a lágrima cai
A dor é um monstro que nunca sai
Ponte
Ele tentou falar, mas viraram as costas
"É só brincadeira", eram as respostas
O peso do mundo em ombros tão jovens
Enquanto os traumas na mente chovem
Verso 3
O tempo passou, a cadeira esvaziou
Aquele garoto ali nunca mais voltou
Ficou a lição que ninguém quis aprender
Palavras machucam, podem destruir um ser
O bullying não é piada, não é brincadeira
É uma arma que mata uma vida inteira
Hoje o silêncio na sala faz ecoar
A voz de quem a gente deveria escutar
(Fim)
(A batida vai sumindo devagar, som de passos se distanciando)