Pular para o conteúdo
Carregando…

Capítulo 16: De volta para casa

sids

Conteúdo da publicação

Amme abriu um sorriso orgulhoso.

— Viu? Fui eu quem resgatei ela.

— Isso foi muito rápido... — murmurou Aras.

— E melhor que todos saibam que fui Eu, quem te salvei.

— Claro... que salvou.

Pentre não conseguiu conter uma risada baixa.
Então seu olhar voltou para Aras.
Dessa vez, havia algo diferente nele.

Uma tristeza serena se mexia por seus olhos.
Ele permaneceu alguns segundos em silêncio antes de falar.

— Posso fazer uma pergunta?

Aras assentiu.

— Claro.

— Você se lembra de muita coisa... de antes?

A princesa hesitou.
Antes?
Ela pensou rapidamente no que responder.

— Não muito...

A resposta fez Pentre baixar discretamente a cabeça.

— Imaginei.

Amme compreendeu facilmente o que o amigo estava imaginando.
Pentre acreditava que Aras fosse uma sobrevivente antiga.
Uma eteriana que passara tanto tempo escondida, isolada ou adormecida, que suas lembranças haviam se perdido com os séculos.
Ele sorriu com gentileza.

— Deve ser difícil.

Aras o encarou, sem entender completamente.

— O quê?

— Acordar em um mundo que já não é o seu.

Ela ficou imóvel.
Porque...
De certa forma...
Era exatamente aquilo que estava vivendo.
Mesmo sendo humana.

Pentre continuou.

— Tudo mudou. — Seu olhar percorreu o salão. — Cidades... Os costumes... pessoas...— Respirou devagar. — Imagino que deva ser doloroso perceber que quase ninguém se lembra daquilo que, para você, ainda parece tão natural.

Aras não respondeu.
Sentiu um aperto estranho no peito.
Porque aquelas palavras descreviam sua própria situação melhor do que ele poderia imaginar.
Pentre sorriu outra vez.
Era um sorriso pequeno.
Quase melancólico.

— Mesmo assim...— Ele olhou para a taça ainda nas mãos dela. — Você continua compartilhando essas lembranças sem perceber.— Fez um leve gesto para os Primevos. Eles ainda seguravam as frutas vermelhas em silêncio. Alguns choravam discretamente. — Hoje você devolveu uma memória a um povo inteiro.

Aras acompanhou seu olhar.
Ainda não conseguia entender por que aquilo havia causado tamanho impacto.

— Eu apenas... bebi.

— Não.— Pentre balançou a cabeça. — Você nos lembrou de quem fomos.

Depois de alguns instantes, ele estendeu lentamente a mão.
Não para cumprimentá-la.
Apenas apoiou-a sobre o ombro da jovem com extrema delicadeza.
Como quem tem medo de assustar um pássaro.

— Seja bem-vinda de volta para casa.

Aras arregalou discretamente os olhos.
Aquela frase...
Doeu.
Porque não era a casa dela.
Mas, olhando ao redor, vendo aqueles rostos emocionados, ela percebeu que, para todos ali...
Eles realmente acreditavam que ela havia acabado de voltar para casa.
Sem perceber, Aras sorriu de maneira tímida.

— Obrigada...

Amme observava a cena em silêncio.
Seu peito se aqueceu.
Ela conhecia Pentre havia séculos, e após milênio atrás de milênio, Pentre se mostrava o mais íntimo é próximo de sua natureza.

{}

Atravessando as fronteiras dos reinos, cavalgando por estradas e navegando entre as províncias, Yal dividia os próprios pensamentos entre como entraria em Eferin sem ser notado... e se Aras ainda estava viva.

O casamento acontecera apenas no dia anterior. Aras estava nas mãos dos eterianos havia apenas uma tarde, uma noite e uma manhã.

Que estivesse viva. Que estivesse bem. Que ainda houvesse tempo.

Ele chegou a terra de eferin no fim da tarde do mesmo dia em que partiu. Considerando que era literalmente do outro lado de seu mundo, qualquer um que não fosse Leriondis ficaria desacreditado.

Acontece que o povo de Yal, também eram exímios aventureiros é exploradores. E alguns, como Yal, detinham uma certa peculiaridade chamada Ruton.

Ruton era uma mana amarela que os atingia de dentro para fora, os dando capacidades diversas, mas quando usada sem controle, levava o usuário a tornar-se um reflexo distorcido dos próprios defeitos.

Yal não atravessou a fronteira de imediato.
Parou o cavalo muito antes das primeiras construções de Eferin surgirem entre as árvores.
Do alto de uma formação rochosa, observou.

As muralhas não eram altas como as dos reinos humanos. Nem precisavam ser.

Cristais negros cresciam ao redor delas como raízes expostas, formando uma barreira viva que pulsava lentamente. Patrulhas percorriam os caminhos em intervalos quase perfeitos.
Ele acompanhou cada uma.
Contou os passos.
Cronometrou o tempo entre as trocas de guarda.

Anotou mentalmente onde havia menos movimento.

— Não vou entrar pela frente...—Murmurou para si.

A luz do fim da tarde começou a desaparecer.

Invadir durante o dia seria suicídio.
O melhor seria esperar.

Encontrou uma pequena depressão entre grandes pedras, escondida por árvores antigas. Dali ainda conseguia enxergar parte da fortaleza sem ser facilmente visto.
Era suficiente.

Prendeu o cavalo.
Acendeu apenas uma chama pequena, escondida por pedras.
Nenhuma fumaça ou luz que denunciasse sua posição.
Depois retirou a mochila das costas.
Tudo tinha um lugar.
Corda, cantil, faca, pedra de amolar, mapa, uma pequena bolsa de ervas, frascos de Ruton concentrado.

Separava cada objeto com movimentos rápidos.
Faltava alguma coisa.
Franziu a testa.

— Onde...

Revirou outro compartimento.
Foi então que um pequeno papel dobrado escapou da mochila.
Caiu silenciosamente sobre a terra.
Yal baixou-se.
Pegou o papel com cuidado.
O canto ainda estava levemente amassado, exatamente como no dia em que Aras o dobrará as pressas.

Agora... Respirou fundo.
Ela podia estar presa.
Ferida.
Ou...
Fechou os olhos antes que o pensamento terminasse.

Desdobrou lentamente a folha.
A caligrafia delicada apareceu sob a luz fraca da fogueira.
Os dedos apertaram o papel com mais força.
Então começou a ler.

"Se você estiver lendo isso, espero que alguma coisa tenha mudado.
Espero que o casamento tenha sido suficiente.
Não para encontrar um grande amor...
Acho que já deixei de esperar por isso há muito tempo.
Mas talvez suficiente para eu voltar a sentir as coisas como antes.

Ainda penso naquele menino do labirinto.
Às vezes me pergunto se ele realmente existiu ou se minha memória inventou alguém para guardar aquilo que fui perdendo.

Se ele existir...
Gostaria que voltasse.
Não para ficar comigo.
Apenas para devolver a parte de mim que levou embora.

Neste momento, o que sinto é inveja dos meus irmãos.
Eles tiveram coragem de seguir os próprios caminhos.
Eu continuo seguindo o caminho que escolheram para mim.
Espero que isso tenha valido a pena.

Se ainda existir alguma coisa de mim quando você ler esta carta, saiba que tenho fé em nossa mu..."

Thoughts

  • rmoraes52

    A Amme querendo que o reino inteiro saiba que foi ela quem salvou kkkk, essa já ia mandar pintar uma placa na entrada

    Permalink
Pública 0 conversa 1 pensamento 8 votos positivos 0 voto negativo 1 série

Amme abriu um sorriso orgulhoso.

Em séries

Em grupos