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AUTISMO E ABORDAGENS TERAPÊUTICAS

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AUTISMO E ABORDAGENS TERAPÊUTICAS: O PAPEL DA TERAPIA OCUPACIONAL, FONOAUDIOLOGIA, PSICOLOGIA E INTERVENÇÕES COMPORTAMENTAIS NO DIA A DIA

Por: Professor Psicopedagogo Institucional e Clínico - Edson Carlos de Sousa Leal

Resumo

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) constitui uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada, entre outros aspectos, por diferenças na comunicação e interação social e pela presença de padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. O acompanhamento de pessoas autistas exige, portanto, uma perspectiva individualizada, interdisciplinar e centrada nas necessidades, potencialidades e interesses de cada sujeito. Este artigo discute o papel da terapia ocupacional, da fonoaudiologia, da psicologia e das intervenções comportamentais no cotidiano de pessoas autistas, destacando a importância da atuação articulada entre profissionais, família, escola e demais espaços sociais. A discussão fundamenta-se em literatura científica e documentos oficiais, enfatizando que não existe uma intervenção única capaz de responder às necessidades de todas as pessoas autistas. A terapia ocupacional pode contribuir para a autonomia e participação nas atividades cotidianas; a fonoaudiologia atua especialmente sobre comunicação, linguagem e interação social; a psicologia pode trabalhar aspectos emocionais, comportamentais, cognitivos e sociais; enquanto intervenções comportamentais, incluindo princípios da Análise do Comportamento Aplicada (ABA), podem contribuir para o desenvolvimento de habilidades funcionais quando individualizadas e baseadas em evidências. Conclui-se que o objetivo das terapias não deve ser simplesmente eliminar comportamentos considerados diferentes, mas ampliar comunicação, autonomia, participação social, qualidade de vida e possibilidades de escolha.

Palavras-chave: Autismo. Terapia ocupacional. Fonoaudiologia. Psicologia. Intervenção comportamental. Inclusão.

1 INTRODUÇÃO

Falar sobre autismo significa reconhecer a existência de diferentes formas de desenvolvimento, comunicação, interação e participação social. O próprio conceito de espectro evidencia a heterogeneidade existente entre as pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista. Por essa razão, não é adequado imaginar que uma única técnica terapêutica possa produzir os mesmos resultados em todas as pessoas.

A intervenção no autismo deve considerar características individuais, idade, nível de desenvolvimento, formas de comunicação, autonomia, contexto familiar, ambiente escolar, interesses e necessidades específicas. Nesse sentido, o Ministério da Saúde orienta que o projeto terapêutico seja individualizado e considere as necessidades e interesses da pessoa e de sua família. O documento também ressalta que não existe uma única abordagem que deva ser privilegiada para todas as pessoas com TEA.

A questão central, portanto, não é perguntar qual terapia é "a melhor" para o autismo, mas quais estratégias apresentam evidências de benefício para determinada pessoa e determinado objetivo terapêutico.

Essa compreensão é especialmente importante porque a realidade cotidiana da pessoa autista ultrapassa o consultório. Alimentar-se, vestir-se, comunicar desejos, brincar, estudar, utilizar o transporte, participar de atividades familiares, lidar com mudanças de rotina, estabelecer relações sociais e desenvolver autonomia são desafios que podem exigir diferentes formas de apoio.

Assim, terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicologia e intervenções comportamentais podem assumir funções complementares, desde que exista planejamento individualizado e comunicação entre os profissionais.

2 AUTISMO E A NECESSIDADE DE UMA ABORDAGEM INDIVIDUALIZADA

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais caracteriza o TEA como uma condição do neurodesenvolvimento associada a déficits persistentes na comunicação e interação social, acompanhados por padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2014).

Entretanto, o diagnóstico não determina sozinho aquilo que uma pessoa consegue ou não consegue fazer. Duas pessoas autistas podem apresentar o mesmo diagnóstico e possuir necessidades completamente diferentes.

Bosa (2006), ao discutir as intervenções psicoeducacionais no autismo, chama atenção justamente para a necessidade de considerar a criança e sua família, reconhecendo que diferentes necessidades exigem diferentes estratégias de intervenção.

Nesse sentido, a terapia deve partir da pessoa e não apenas do diagnóstico. O diagnóstico organiza a compreensão clínica, mas não deve transformar-se em uma espécie de roteiro rígido que determine previamente todas as práticas terapêuticas.

O Ministério da Saúde estabelece:

Todo projeto terapêutico, portanto, será individualizado e deve atender às necessidades, demandas e interesses de cada paciente e de seus familiares.

Não existe uma única abordagem a ser privilegiada no atendimento de pessoas com transtornos do espectro autista. Contudo, recomenda-se que a escolha entre as diversas abordagens existentes considere a fundamentação em sólido alicerce científico e que tenha como premissa a sua efetividade e segurança, e seja tomada de acordo com a singularidade de cada caso. (BRASIL, 2025, não paginado).

A afirmação é importante porque desloca o debate de uma disputa entre métodos para uma perspectiva baseada na singularidade. A questão fundamental passa a ser: qual intervenção é adequada para esta pessoa, neste momento, para alcançar determinado objetivo funcional?

3 TERAPIA OCUPACIONAL: AUTONOMIA, PARTICIPAÇÃO E VIDA COTIDIANA

A terapia ocupacional possui papel relevante no atendimento às pessoas autistas porque trabalha com atividades significativas e participação em diferentes contextos da vida.

Na prática, isso pode envolver alimentação, higiene, vestuário, organização da rotina, atividades escolares, brincadeiras, coordenação motora, participação social, uso de objetos, regulação sensorial e desenvolvimento de autonomia.

Case-Smith e Arbesman (2008) realizaram uma revisão de intervenções relacionadas à terapia ocupacional no autismo e identificaram diferentes categorias de práticas, incluindo intervenções sensoriais, abordagens relacionais, programas voltados ao desenvolvimento de habilidades, treinamento de habilidades sociais, intervenções mediadas pelos pais e intervenções comportamentais.

A importância da terapia ocupacional está justamente em aproximar o processo terapêutico da vida real. Uma habilidade aprendida no consultório possui maior relevância quando consegue ser utilizada no cotidiano.

Patten et al. (2024), em diretrizes contemporâneas para a terapia ocupacional de pessoas autistas ao longo da vida, destacam a necessidade de intervenções orientadas por objetivos e voltadas à participação em ocupações significativas. A revisão que fundamentou essas diretrizes reuniu 98 artigos, reforçando a importância de práticas individualizadas, multidisciplinares e centradas na participação.

A terapia ocupacional, portanto, não deve ser compreendida apenas como um conjunto de exercícios motores ou atividades sensoriais. Seu campo de atuação pode envolver a relação entre pessoa, atividade e ambiente.

Um exemplo simples é uma criança que apresenta dificuldade para permanecer durante uma refeição. O objetivo terapêutico não precisa ser simplesmente "fazer a criança permanecer sentada". É necessário compreender por que isso ocorre: dificuldade sensorial? desconforto postural? ambiente inadequado? dificuldade de comunicação? ansiedade? exigência excessiva? dificuldade de autorregulação?

A resposta terapêutica dependerá da causa e das necessidades individuais.

4 O PAPEL DA FONOAUDIOLOGIA NA COMUNICAÇÃO

A comunicação ocupa lugar central no desenvolvimento e na participação social. Algumas pessoas autistas apresentam linguagem oral desenvolvida, enquanto outras utilizam fala limitada, comunicação alternativa ou diferentes combinações de recursos comunicativos.

Nesse contexto, a fonoaudiologia possui importante papel na avaliação e intervenção relacionadas à comunicação, linguagem, fala, pragmática, interação social e alimentação, conforme as necessidades individuais.

Barros et al. (2025), em revisão de escopo sobre práticas fonoaudiológicas no Brasil, analisaram 49 estudos e observaram predominância de intervenções terapêuticas e avaliativas, embora também tenham identificado avanços na personalização dos atendimentos. Os autores apontam, entretanto, que ainda existem poucos estudos voltados à promoção da saúde e à inclusão social.

Esse dado é relevante porque a comunicação não deve ser compreendida apenas como capacidade de falar.

Comunicar-se significa também conseguir pedir ajuda, demonstrar desconforto, expressar preferências, recusar algo, compartilhar interesses, responder, iniciar uma interação e participar de situações sociais.

Nesse sentido, sistemas de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), recursos visuais, figuras, dispositivos eletrônicos e outras estratégias podem ser utilizados quando necessários.

Estudos sobre a atuação de fonoaudiólogos demonstram que estratégias como treinamento de habilidades sociais, Comunicação Aumentativa e Alternativa, PECS e histórias sociais aparecem entre os recursos utilizados na prática profissional.

A intervenção fonoaudiológica precisa, portanto, ultrapassar a ideia de que o objetivo principal é fazer a criança falar. O objetivo mais amplo é favorecer uma comunicação funcional e significativa.

Uma pessoa que não utiliza fala oral, mas consegue comunicar suas necessidades, fazer escolhas e participar das relações sociais, possui uma forma legítima de comunicação.

5 PSICOLOGIA: EMOÇÕES, COMPORTAMENTO E RELAÇÕES SOCIAIS

A psicologia também ocupa lugar importante na rede de cuidados à pessoa autista.

A atuação psicológica pode envolver avaliação, psicoterapia, desenvolvimento de habilidades socioemocionais, manejo de ansiedade, identificação de dificuldades comportamentais, apoio à família e desenvolvimento de estratégias para lidar com mudanças, frustrações e situações sociais.

É necessário, contudo, evitar uma visão segundo a qual o psicólogo deve simplesmente "corrigir" comportamentos autísticos.

Comportamentos possuem funções e significados. Uma crise pode estar relacionada a sobrecarga sensorial, dificuldade de comunicação, alteração inesperada da rotina, ansiedade, dor, cansaço ou dificuldade de compreender determinada situação.

Portanto, antes de tentar eliminar determinado comportamento, é necessário compreender sua função.

A psicologia também pode atuar junto à família, considerando que o diagnóstico de autismo pode produzir mudanças significativas na dinâmica familiar, nas expectativas e na organização cotidiana.

O acompanhamento psicológico, quando necessário, pode favorecer a compreensão das características do autismo, o fortalecimento das relações familiares e a construção de estratégias para enfrentar situações desafiadoras.

6 INTERVENÇÕES COMPORTAMENTAIS E A ANÁLISE DO COMPORTAMENTO APLICADA

As intervenções comportamentais estão entre as abordagens mais discutidas no campo do autismo. Entre elas encontra-se a Análise do Comportamento Aplicada — Applied Behavior Analysis (ABA).

A ABA procura compreender relações entre comportamento e ambiente, utilizando princípios da ciência do comportamento para desenvolver habilidades e reduzir comportamentos que produzem prejuízos ou riscos.

Fernandes e Amato (2013) realizaram uma revisão sistemática sobre ABA e autismo, analisando 52 artigos. As autoras encontraram evidências heterogêneas e destacaram a necessidade de cautela diante da ideia de que a ABA seria necessariamente superior a todas as outras abordagens.

Em sua conclusão, afirmam:

Não há evidência suficiente para corroborar a preponderância da ABA sobre outras alternativas. (FERNANDES; AMATO, 2013, p. 289).

A citação é particularmente importante porque contribui para um debate mais equilibrado. Reconhecer que determinadas intervenções comportamentais possuem evidências de efetividade não significa afirmar que todas as pessoas autistas precisam da mesma intervenção ou que outras áreas terapêuticas sejam dispensáveis.

O próprio Ministério da Saúde reconhece que as abordagens comportamentais possuem um corpo expressivo de evidências, mas recomenda que sua utilização seja individualizada e baseada na avaliação das necessidades, potencialidades e preferências da pessoa. Portanto, o debate sobre ABA precisa abandonar tanto a rejeição automática quanto a defesa absoluta.

A questão científica deve ser: qual estratégia produz benefícios relevantes para aquela pessoa, com segurança, respeito e objetivos funcionalmente significativos?

7 A IMPORTÂNCIA DA INTERVENÇÃO NO AMBIENTE NATURAL

Um dos maiores desafios das terapias é garantir que as habilidades aprendidas durante uma sessão sejam transferidas para outros ambientes.

Não adianta desenvolver uma habilidade exclusivamente no consultório se ela não aparecer em casa, na escola, no parque, no supermercado ou em outros espaços frequentados pela pessoa.

Nesse sentido, a família desempenha papel importante.

Fernandes e Amato (2013) observaram, em sua revisão, que poucos estudos analisados investigavam diretamente a participação dos pais na aplicação dos princípios da ABA no ambiente doméstico.

As autoras também destacaram a importância da formação especializada dos profissionais.

A participação familiar, entretanto, não significa transformar pais e mães em terapeutas.

A família precisa receber orientação para compreender como apoiar a comunicação, a autonomia e a participação da pessoa autista em situações cotidianas, sem transformar toda a vida doméstica em uma sessão terapêutica.

O lar deve continuar sendo espaço de convivência, afeto, descanso, brincadeira e relações familiares.

8 TERAPIAS NO COTIDIANO: DA CLÍNICA PARA A VIDA

O sucesso de uma intervenção não deve ser avaliado apenas pelo comportamento observado durante uma sessão.

É preciso perguntar se a intervenção produziu mudanças significativas na vida da pessoa.

Uma criança que aprende a pedir água sozinha desenvolveu uma habilidade funcional.

Uma criança que passa a utilizar comunicação alternativa para expressar dor ganhou autonomia.

Um adolescente que aprende estratégias para lidar com ansiedade em situações sociais conquistou uma ferramenta para a vida.

Um adulto que consegue organizar sua rotina, preparar uma refeição simples ou utilizar transporte com maior autonomia ampliou sua participação social.

Esses resultados podem ser mais importantes do que simplesmente cumprir uma determinada quantidade de exercícios terapêuticos.

As diretrizes contemporâneas da terapia ocupacional destacam justamente a participação e o engajamento em ocupações significativas, enfatizando intervenções orientadas por objetivos e adaptadas aos diferentes contextos.

9 A INTERDISCIPLINARIDADE COMO PRINCÍPIO FUNDAMENTAL

O atendimento da pessoa autista não deve ser fragmentado em profissionais que trabalham isoladamente.

A terapia ocupacional pode identificar dificuldades relacionadas à autonomia e participação; a fonoaudiologia pode trabalhar comunicação e linguagem; a psicologia pode atuar sobre aspectos emocionais e comportamentais; profissionais especializados em intervenções comportamentais podem desenvolver habilidades específicas; e a escola pode favorecer a generalização dessas aprendizagens no contexto educacional.

O diálogo entre esses profissionais é fundamental.

Um exemplo pode ser encontrado na alimentação. Uma criança que apresenta seletividade alimentar pode necessitar de avaliação fonoaudiológica, acompanhamento da terapia ocupacional, investigação psicológica de aspectos comportamentais e emocionais e, quando indicado, avaliação médica e nutricional.

Nenhuma dessas áreas precisa competir com a outra.

Pelo contrário, a interdisciplinaridade permite construir uma compreensão mais ampla.

O Ministério da Saúde também reconhece a necessidade de cuidado multiprofissional e, atualmente, informa que o SUS pode oferecer, de acordo com a organização da rede local, fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional, fisioterapia e acompanhamento multiprofissional especializado.

10 TERAPIA NÃO DEVE SIGNIFICAR APAGAMENTO DA IDENTIDADE AUTISTA

Um dos debates contemporâneos mais importantes envolve os objetivos das intervenções.

É necessário diferenciar desenvolver habilidades de obrigar a pessoa a esconder características autísticas.

Uma intervenção pode ser importante quando ensina comunicação, autonomia, segurança, habilidades sociais e estratégias de autorregulação.

Por outro lado, é necessário questionar intervenções cujo objetivo principal seja produzir aparência de normalidade sem considerar o bem-estar da pessoa.

O comportamento repetitivo, por exemplo, pode ter diferentes funções. Em determinadas situações, ele pode representar uma forma de autorregulação e não necessariamente um comportamento que precise ser eliminado.

A intervenção deve ser orientada pelo impacto funcional e pelo bem-estar.

Nesse sentido, Patten et al. (2024) destacam a importância crescente de incorporar forças, interesses e perspectivas das próprias pessoas autistas na definição das intervenções, aproximando a terapia de práticas afirmativas da neurodiversidade.

11 O PAPEL DA ESCOLA

A escola constitui espaço fundamental para a generalização das habilidades desenvolvidas nas terapias.

A criança não vive somente no consultório. Ela precisa utilizar suas habilidades na sala de aula, no recreio, nas atividades coletivas, na relação com professores e colegas e nos diferentes momentos da rotina escolar.

Por isso, profissionais da saúde e educação precisam dialogar.

A fonoaudiologia pode orientar estratégias de comunicação funcional; a terapia ocupacional pode contribuir para adaptações ambientais e de atividades; a psicologia pode auxiliar na compreensão de aspectos emocionais e comportamentais; e profissionais especializados em comportamento podem colaborar na construção de estratégias individualizadas.

Isso não significa transformar a escola em clínica.

A escola possui finalidade pedagógica e social. As terapias possuem objetivos clínicos e funcionais. A articulação entre elas deve ocorrer preservando as funções específicas de cada espaço.

12 A IMPORTÂNCIA DAS EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS

A expansão do número de terapias disponíveis também trouxe um problema: a circulação de promessas sem comprovação científica.

Famílias que recebem o diagnóstico frequentemente procuram respostas rápidas e podem encontrar ofertas de tratamentos que prometem resultados extraordinários.

É fundamental que profissionais e famílias avaliem criticamente essas propostas.

Erickson et al. (2018), em revisão sobre intervenções baseadas em evidências para crianças autistas, ressaltam que existem intervenções com diferentes níveis de suporte científico e que cada área profissional deve buscar práticas fundamentadas nas melhores evidências disponíveis.

Portanto, não basta afirmar que determinado método "funciona". É preciso perguntar:

* Para qual pessoa?

* Para qual objetivo?

* Em qual idade?

* Com qual intensidade?

* Em quais condições?

* Quais resultados foram observados?

* Existem riscos?

* Como a pessoa autista percebe a intervenção?

* As habilidades são generalizadas para a vida cotidiana?

Essas perguntas ajudam a transformar a intervenção em uma prática verdadeiramente baseada em evidências.

13 O CUIDADO COM A PROMESSA DE "CURA"

O autismo não deve ser tratado como uma doença que necessariamente precisa ser "curada".

A intervenção deve buscar ampliar possibilidades de desenvolvimento, comunicação, autonomia, participação social e qualidade de vida.

Nesse sentido, terapia não deve significar promessa de transformar a pessoa autista em uma pessoa não autista.

O objetivo ético é oferecer recursos para que a pessoa possa viver com maior autonomia, segurança e participação.

Isso também significa respeitar diferentes formas de comunicação.

Uma pessoa que utiliza Comunicação Aumentativa e Alternativa não deve ser considerada menos capaz simplesmente porque não utiliza fala oral.

A comunicação é maior do que a fala.

14 DESAFIOS DAS FAMÍLIAS NO ACESSO ÀS TERAPIAS

Embora a literatura reconheça a importância do acompanhamento interdisciplinar, o acesso às terapias continua sendo um desafio para muitas famílias.

Diferenças econômicas, disponibilidade de profissionais especializados, distância geográfica, filas de atendimento e desigualdade entre regiões podem limitar a continuidade do tratamento.

No Brasil, o Ministério da Saúde informa que o SUS oferece terapias especializadas para pessoas com TEA, incluindo, conforme a organização da rede municipal, fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional, fisioterapia e acompanhamento multiprofissional.

Entretanto, a existência formal da oferta não significa necessariamente acesso efetivo e contínuo.

Esse é um dos desafios das políticas públicas: transformar o direito ao cuidado em atendimento disponível, qualificado, territorialmente acessível e capaz de acompanhar as necessidades da pessoa ao longo da vida.

15 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O autismo exige uma compreensão que ultrapasse o diagnóstico e considere a pessoa em sua integralidade.

Terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicologia e intervenções comportamentais podem desempenhar papéis relevantes no desenvolvimento de habilidades e na melhoria da participação cotidiana. Entretanto, nenhuma dessas áreas deve ser compreendida isoladamente.

A terapia ocupacional contribui especialmente para autonomia, participação e realização de atividades significativas. A fonoaudiologia possui papel essencial na comunicação, linguagem e interação. A psicologia pode contribuir para aspectos emocionais, sociais, cognitivos e comportamentais. As intervenções comportamentais, por sua vez, podem auxiliar no desenvolvimento de habilidades funcionais e na compreensão das relações entre comportamento e ambiente.

A principal conclusão deste estudo é que não existe uma terapia universal para o autismo.

A escolha das intervenções precisa considerar evidências científicas, objetivos funcionais, segurança, características individuais, preferências e contexto de vida.

A intervenção mais adequada não é necessariamente aquela que produz o comportamento mais próximo do padrão considerado "normal", mas aquela que ajuda a pessoa a comunicar-se, participar, aprender, estabelecer relações, desenvolver autonomia e viver com maior qualidade.

Por isso, o verdadeiro sentido da terapia não deve ser apagar a diferença, mas ampliar possibilidades.

No cotidiano, o melhor resultado terapêutico pode ser observado quando a pessoa consegue fazer algo que antes não conseguia: comunicar uma necessidade, brincar com outra pessoa, alimentar-se com maior autonomia, participar da escola, enfrentar uma mudança de rotina, controlar a ansiedade, expressar uma escolha ou simplesmente ter maior controle sobre sua própria vida.

Assim, o futuro das intervenções no autismo deve caminhar para práticas cada vez mais individualizadas, interdisciplinares, baseadas em evidências e comprometidas com os direitos, a dignidade, a autonomia e a participação social das pessoas autistas.

REFERÊNCIAS

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BRASIL. Ministério da Saúde. O SUS oferece terapias especializadas para TEA? Brasília, DF, 2025. Disponível em: [https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/autismo/faq/o-sus-oferece-terapias-especializadas](https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/autismo/faq/o-sus-oferece-terapias-especializadas). Acesso em: 7 set. 2026.

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