O COLAR DOS AMANTES ETERNOS
PARTE I — O AMOR QUE NÃO PODIA EXISTIR
Uma creepypasta de Lin & Vamp.
Meu nome é Lin.
E, antes de me tornar uma criatura que os humanos temem, antes de meu rosto ser marcado por uma doença misteriosa e antes de meu nome ser sussurrado nos corredores de casas abandonadas, eu era apenas uma garota que desejava ser amada.
Eu não sabia que meu destino já havia sido escrito.
Muito menos imaginava que a pessoa que mudaria minha vida seria um vampiro.
O nome dele era Vamp.
Ele tinha cabelos escuros, olhos vermelhos como sangue e uma expressão fria que fazia qualquer pessoa desviar o olhar.
Todos diziam que ele era perigoso.
Diziam que seu coração havia morrido muitos séculos antes.
Diziam que ele não sabia amar.
Mas ninguém conhecia o Vamp que eu conhecia.
Porque, quando estávamos sozinhos, ele deixava de ser o monstro das histórias.
Ele se tornava apenas meu.
E eu me tornava o único motivo para ele continuar existindo.
CAPÍTULO 1 — O ENCONTRO
Nos conhecemos em uma noite de tempestade, quando entrei em uma floresta proibida para fugir da minha família.
Eu estava cansada das regras, das ameaças e de ouvir que meu futuro já estava decidido.
Foi então que ouvi uma voz atrás de mim.
— Você não deveria estar aqui, humana.
Virei-me depressa.
Ele estava encostado em uma árvore, observando-me com aqueles olhos vermelhos.
— E você não deveria assustar pessoas na floresta — respondi, tentando esconder meu medo.
Ele sorriu de lado.
— Você não sabe quem eu sou, não é?
— E você não sabe quem eu sou. Estamos quites.
Pela primeira vez em muitos anos, Vamp riu.
Naquela noite, ele me acompanhou até a saída da floresta.
Mas, antes de partir, segurou meu pulso delicadamente.
— Lin, prometa que nunca voltará aqui sozinha.
— Por quê?
O sorriso desapareceu de seu rosto.
— Porque existem coisas nesta floresta que são muito piores do que eu.
Eu deveria ter ido embora e nunca mais voltado.
Mas, no dia seguinte, retornei.
E ele estava me esperando.
CAPÍTULO 2 — O VAMPIRO QUE APRENDEU A AMAR
Nossas conversas se transformaram em encontros.
Os encontros se transformaram em abraços.
E os abraços se transformaram em algo que nenhum de nós conseguia explicar.
Vamp começou a me contar sobre seu passado.
Ele havia vivido durante séculos, perdido pessoas que amava e assistido a reinos inteiros desaparecerem.
Sua família pertencia a uma linhagem antiga de vampiros.
A minha família, por outro lado, guardava um segredo ainda mais sombrio.
Meus antepassados eram responsáveis por caçar criaturas sobrenaturais.
Vamp era exatamente o tipo de criatura que minha família havia jurado destruir.
Quando descobri a verdade, senti meu mundo desabar.
— Então tudo isso é mentira? — perguntei, com lágrimas nos olhos.
Ele permaneceu em silêncio.
— Você se aproximou de mim porque queria me usar?
— Nunca.
— Como posso acreditar em você?
Vamp aproximou-se lentamente.
— Não pode. Não ainda. Mas eu passaria mais mil anos tentando provar que meu amor por você é verdadeiro.
Eu queria odiá-lo.
Queria desaparecer.
Mas, quando ele segurou minha mão, percebi que já era tarde demais.
Eu estava apaixonada por um monstro.
E o pior era que, perto dele, eu nunca havia me sentido tão humana.
Naquela noite, fizemos uma promessa.
Ele retirou do pescoço um colar antigo, com um pingente dividido em duas metades.
Uma metade tinha uma pequena rosa negra.
A outra, uma lua vermelha.
— Este colar pertence à minha família há séculos — explicou. — Dizem que suas duas metades jamais devem ser separadas depois de unidas por um juramento verdadeiro.
Ele colocou uma metade em meu pescoço e guardou a outra junto ao coração.
— Enquanto carregarmos esses pingentes, sempre haverá alguma coisa que nos lembrará um do outro.
Segurei seu rosto.
— E se um dia eu morrer?
Os olhos dele ficaram vermelhos de uma maneira diferente.
— Não diga isso, Lin.
— Prometa.
Ele encostou a testa na minha.
— Se você desaparecer deste mundo, eu procurarei você em todos os outros.
Eu o abracei.
E, naquele instante, uma rosa negra floresceu entre as árvores mortas da floresta.
Era o primeiro sinal de que alguma coisa antiga havia despertado.
CAPÍTULO 3 — NOSSAS FAMÍLIAS
Não demorou para que descobrissem nosso relacionamento.
Minha família me trancou em casa.
A família de Vamp ameaçou expulsá-lo da linhagem e condená-lo à morte definitiva.
Disseram que nossa união despertaria uma maldição.
Disseram que humanos e vampiros não poderiam compartilhar o mesmo destino.
E disseram que, se continuássemos juntos, um de nós destruiria o outro.
Minha mãe chorou.
Meu pai gritou.
Os parentes de Vamp prepararam uma cerimônia para apagar minhas lembranças da mente dele.
Mas nenhum deles compreendeu uma coisa.
Nós não estávamos dispostos a abandonar um ao outro.
Na noite em que seria realizada a cerimônia, Vamp invadiu minha casa.
Encontrou-me presa em um quarto, com os pulsos machucados pelas correntes.
— Vamp...
Ele correu até mim e quebrou as correntes.
— Vim buscar você.
— Eles vão nos perseguir.
— Eu sei.
— Podemos morrer.
Ele segurou meu rosto.
— Lin, eu prefiro enfrentar mil monstros ao seu lado a passar mais um dia fingindo que não amo você.
Fugimos pela janela.
Atravessamos a floresta e seguimos por estradas desconhecidas.
Não levamos dinheiro suficiente.
Não tínhamos um lugar para ficar.
Não sabíamos como sobreviveríamos.
Mas tínhamos um ao outro.
E, naquele momento, acreditamos que isso seria suficiente.
Não sabíamos que as criaturas da floresta já haviam sentido o cheiro do nosso sangue.
CAPÍTULO 4 — OS MONSTROS DA MEIA-NOITE
Na terceira noite de fuga, ouvimos gritos vindos das árvores.
Vamp parou imediatamente.
— Fique atrás de mim.
Uma criatura surgiu entre os troncos.
Era alta demais para ser humana, tinha braços compridos e um rosto sem olhos.
Outra apareceu atrás dela.
Depois outra.
E mais outra.
Vamp mostrou as presas.
Suas unhas cresceram, e seus olhos brilharam na escuridão.
— Corra, Lin!
Mas eu não consegui abandoná-lo.
Peguei um pedaço de madeira e tentei ajudá-lo.
Uma das criaturas avançou em minha direção.
Vamp a atingiu antes que pudesse me tocar.
A batalha começou.
Eu nunca havia visto alguém lutar daquela maneira.
Ele parecia uma sombra atravessando a floresta, desviando de golpes e enfrentando criaturas que deveriam ser impossíveis de derrotar.
Mas os monstros eram numerosos demais.
Um deles o lançou contra uma árvore.
Outro segurou meus cabelos e me arrastou pelo chão.
Gritei por Vamp.
E ele ouviu.
Mesmo ferido, levantou-se e veio em minha direção.
Foi quando a criatura que o perseguia ergueu uma lâmina.
Tudo aconteceu depressa.
Vamp se virou para me proteger.
A lâmina atravessou seu corpo.
Por alguns segundos, o mundo inteiro ficou em silêncio.
Ele olhou para mim, surpreso.
Depois caiu de joelhos.
— VAMP!
Corri até ele e segurei seu corpo.
O sangue escorria entre meus dedos.
Eu gritava, implorava, prometia qualquer coisa que pudesse mantê-lo comigo.
Ele tocou meu rosto.
— Lin... não chore.
— Você prometeu ficar comigo!
— Eu sei...
— Então não me deixe!
Seus olhos começaram a perder o brilho.
Apertei o colar contra o peito dele.
E jurei que, se ele sobrevivesse, enfrentaria o mundo inteiro por nós dois.
Naquela noite, não consegui salvar meu amor.
Mas também não permiti que os monstros levassem seu corpo.
Arrastei Vamp para longe da floresta, enquanto as criaturas desapareciam entre as árvores.
Ao amanhecer, encontramos uma pequena estrada.
Uma pessoa nos ajudou a chegar a um hospital.
Vamp foi levado às pressas para uma sala de emergência.
E eu fiquei do lado de fora, segurando a metade do colar que ele havia me dado.
Os médicos disseram que ele estava vivo.
Mas não sabiam quando acordaria.
Naquela noite, sentei-me ao lado de sua cama e segurei sua mão.
— Você ainda me deve uma vida inteira, Vamp.
Encostei meu pingente no dele.
— E eu vou esperar você cumprir essa promessa.
Naquele momento, eu ainda acreditava que o pior já havia passado.
Eu estava errada.
Porque, enquanto Vamp dormia entre a vida e a morte, alguma coisa começou a crescer sob a pele do meu rosto.
Uma mancha escura.
Uma marca que não deveria existir.
E, do lado de fora do hospital, uma criatura de olhos vermelhos observava a janela.
Ela sorriu.
Porque a maldição havia finalmente encontrado seu próximo alvo.
CONTINUA...
Na Parte II: Os Cinco Dias de Silêncio — Vamp desperta, quatro anos se passaram, e Lin descobre que a verdadeira maldição apenas começou.