ainda não sou quem sonhei ser,
mas já não sou quem costumava ser.
e, entre essas duas versões,
existe uma menina
que passou tempo demais tentando acertar,
com medo de decepcionar o mundo
e de não ser suficiente para ele.
fui a menina que acreditava
que bastava fazer tudo direito
para que a vida também fizesse.
que sonhava alto,
mas tinha medo de dar o primeiro passo
e descobrir que as coisas
não eram tão simples quanto pareciam.
cresci tentando ser tantas coisas
que, por um tempo,
esqueci de perguntar a mim mesma
quem eu realmente queria ser.
hoje, sinto saudade daquela inocência,
da certeza bonita de que tudo daria certo.
mas gosto de quem estou me tornando,
mesmo sem saber direito quem sou.
porque tenho sonhos que ainda me esperam,
lugares que nunca conheci,
palavras que ainda não tive coragem de dizer
e uma vida inteira
que não quero perder por medo.
quero ser corajosa.
quero ter ambição nos olhos
e liberdade nas mãos.
quero construir meu próprio caminho,
mesmo que algumas pessoas
não entendam minhas escolhas.
quero aprender que amar alguém
não significa me abandonar,
que decepcionar nem sempre é deixar de amar
e que não preciso diminuir meus sonhos
para caber nas expectativas de ninguém.
talvez a vida nunca seja
exatamente como imaginei.
talvez eu me atrase,
mude de ideia,
me perca algumas vezes pelo caminho.
mas ainda acredito
que ela pode ser bonita.
e, se um dia eu olhar para trás,
quero sentir saudade de quem fui,
orgulho de quem me tornei
e paz por tudo aquilo que ousei viver.
porque, no fim,
não quero chegar ao futuro
lamentando todas as coisas
que o medo me impediu de tentar.
quero olhar para mim mesma
e reconhecer a mulher
que um dia teve medo de existir
fora das expectativas dos outros,
mas que, pouco a pouco,
aprendeu a pertencer a si mesma.
e, se pudesse voltar para abraçar
todas as versões de mim que ficaram pelo caminho,
talvez dissesse apenas:
desculpa por ter demorado tanto
para me escolher.
mas eu estou aqui agora.
e, desta vez,
não quero mais me deixar para depois.