Um dia, todos nós erramos.
Alguns erros fazem barulho.
Outros acontecem em silêncio,
dentro de nós,
e ninguém percebe.
Erramos com quem amamos.
Erramos com quem confiou em nossas mãos.
Erramos por orgulho,
por medo,
por palavras ditas na hora errada
e, às vezes,
por palavras que deveriam ter sido ditas
e ficaram presas na garganta.
Depois, a vida passa.
E aprendemos que o tempo
não volta para buscar aquilo que perdemos.
Mas existe uma coisa que o tempo
não consegue levar:
a chance de mudar.
Talvez você não possa apagar
a lágrima que alguém derramou por sua causa.
Talvez não possa voltar àquela noite,
àquela conversa,
àquele momento
em que escolheu errado.
Mas pode escolher diferente hoje.
Pode procurar quem feriu
e dizer:
“Eu sei que errei.”
Pode olhar para alguém
e, sem orgulho, confessar:
“Eu sinto muito.”
Pode reconstruir, pedra por pedra,
aquilo que suas próprias mãos quebraram.
E talvez a pessoa não perdoe.
Talvez ela tenha seguido outro caminho.
Talvez algumas portas
continuem fechadas.
Mesmo assim, faça sua parte.
Porque pedir perdão
nem sempre é conseguir outra chance.
Às vezes,
é simplesmente devolver ao outro
a paz que você tirou dele.
E é assim que começamos a mudar.
Não quando esquecemos nossos erros,
mas quando deixamos de repeti-los.
Não quando fingimos que somos perfeitos,
mas quando temos coragem
de admitir nossas imperfeições.
A vida não exige que sejamos
pessoas sem passado.
Ela nos convida a ser
pessoas que aprenderam com ele.
Por isso, se existe alguém
a quem você precisa abraçar,
abrace.
Se existe alguém
a quem precisa pedir perdão,
peça.
Se existe alguém
a quem precisa dizer “eu te amo”,
não deixe para amanhã.
Porque existem “adeus”
que chegam sem aviso.
Existem últimas conversas
que nós não sabemos que são últimas.
E existem pessoas
que dariam tudo
por mais cinco minutos
ao lado de alguém
que um dia tiveram.
Então não espere perder
para aprender a valorizar.
Não espere o silêncio
para descobrir o valor da voz.
Não espere a ausência
para entender a presença.
E não espere o fim
para começar a consertar.
Talvez você não consiga mudar
tudo o que aconteceu.
Mas ainda pode mudar
o que acontecerá daqui para frente.
E talvez seja essa
a maior esperança que recebemos:
a vida nos permite errar,
mas também nos oferece
a coragem de tentar novamente.
Enquanto houver manhã depois da noite,
enquanto houver coração depois da dor,
enquanto houver alguém disposto a recomeçar,
ainda há tempo.
Autor: João Guilherme Guimarães de Souza.