A paixão não pede permissão para chegar, nem avisa quando pretende ir embora. Ela pode ser breve ou durar mais do que imaginávamos, mas quase sempre deixa alguma coisa para trás: uma lembrança, um aprendizado, uma história ou simplesmente a certeza de que, por algum momento, sentimos algo profundamente.
Comigo, deixou uma história. Uma história que carrego não apenas na memória, mas também junto ao meu caráter, porque nela existe a pessoa que fui em cada uma das minhas atitudes.
Existem pessoas que são boas e que, olhando para trás, eu penso que não mereciam ter cruzado o caminho de alguém como eu fui naquele momento.
Eu menti. Apunhalei. Fiz coisas que aquela pessoa não merecia. E por muito tempo precisei conviver com o peso de saber disso.
Mas eu finalmente me libertei. Contei tudo. Tudo o que precisava ser dito, mesmo aquilo que eu tinha medo de admitir. E talvez isso tenha sido um dos maiores passos que eu poderia dar: não para apagar o que fiz, mas para parar de fugir daquilo que fiz.
Fui perdoada. E nós dois escolhemos permanecer na vida um do outro, mas não como um casal. Como amigos.
E então surgiu uma pergunta que eu ainda não sei responder:
Como seguir sendo amiga de alguém que você um dia amou?
Ou talvez a pergunta mais difícil seja outra:
Eu amei mesmo?
Talvez sim. Talvez tenha amado da maneira que eu sabia amar naquela época. Talvez tenha confundido paixão com amor, apego com cuidado, medo de perder com vontade de permanecer.
Mas uma coisa eu sei: foi real ou ainda é (bom, pelo menos pra mim).