Essa reflexão trata-se da inversão de valores, da apostasia da verdade, e da necessidade de refletir, e manter se consciente em meio a desordem ocupada pelo caos de um mundo que parece ter perdido o sentido das coisas.
É vibrante em mim a necessidade de questionar me, em silêncio, se este planeta atravessa alguma dimensão do oposto, onde as coisas, embora permaneçam com a mesma aparência, parecem ter trocado de essência.
Há algo estranho no horizonte dos nossos dias. Uma espécie de desordem que não se limita ao que os olhos veem, mas alcança aquilo que a consciência tenta compreender.
É como se a verdade tivesse sido despida de sua dignidade e a mentira, vestida de gala, caminhasse sob aplausos.
O que antes provocava vergonha, hoje, por vezes, provoca admiração. O que deveria despertar reflexão transforma-se em entretenimento. E aqueles que se esforçam para permanecer íntegros parecem carregar sobre os ombros o peso de uma exigência que nunca termina.
Que mundo é este em que o mínimo, quando oferecido por alguns, recebe aplausos de grandeza, enquanto o máximo, quando entregue por outros, ainda é recebido como insuficiência?
Que espécie de inversão é essa, em que o caráter perde espaço para a aparência, a consciência se curva aos interesses e a conveniência parece valer mais do que a verdade?
Não... não sei se o mundo mudou tanto ou se as mudanças apenas arrancaram os véus que escondiam aquilo que sempre esteve aqui.
Talvez a humanidade não esteja atravessando outra dimensão, mas revelando as contradições da sua própria natureza.
E é justamente isso que tanto me inquieta: perceber que o absurdo pode se tornar habitual quando é repetido vezes suficientes; que uma mentira pode conquistar multidões quando encontra ouvidos dispostos a acreditar; e que a verdade, mesmo permanecendo verdade, nem sempre encontra quem esteja disposto a acolhê-la.
É nesse cenário que me encontro, contemplando o mundo através das janelas da minha consciência, tentando compreender aquilo que já não consigo aceitar sem questionar.
Não quero acreditar em tudo o que vejo, tampouco condenar tudo aquilo que não compreendo. Quero apenas encontrar um ponto de equilíbrio entre o que penso, o que sinto e aquilo que, diante de Deus, reconheço como verdadeiro.
Porque há uma diferença imensa entre acompanhar o mundo e pertencer às suas contradições.
Não quero perder a capacidade de discernir apenas para experimentar a tranquilidade de concordar com todos. Tampouco desejo transformar minhas convicções em prisões que me impeçam de aprender.
Quero conservar a liberdade de questionar, a humildade de reconhecer quando não sei e a coragem de não chamar de verdade aquilo que minha consciência, diante dos fatos, não consegue sustentar.
Se o mundo está de cabeça para baixo, não quero ser mais uma pessoa aplaudindo o chão como se fosse o céu.
Quero aprender a distinguir as coisas, mesmo quando a multidão lhes troca os nomes.
E, quando a confusão do lado de fora tentar fazer morada dentro de mim, quero me recolher naquele lugar silencioso onde a alma se aquieta diante do Criador.
Porque talvez eu não consiga compreender todos os movimentos deste mundo. Ou nunca encontre respostas para todas as minhas inquietações.
Mas não quero que a incompreensão me roube a paz, nem que o caos me convença a abandonar os princípios que considero essenciais.
No fim, não me assusta apenas a possibilidade de o mundo estar mudando.
O que verdadeiramente me assusta é a possibilidade de nos acostumarmos tanto com a inversão dos valores que já não sejamos capazes de reconhecer quando aquilo que está diante de nós deixou de fazer sentido.
E, enquanto ainda houver em mim uma pergunta que não se cala, uma consciência que não se vende e uma fé que me conduz de volta a Deus, continuarei buscando discernimento.
Não para me considerar melhor do que ninguém, mas para não me perder de mim mesma tentando compreender o mundo.
Edidania 🌹