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11º dia - O Suicídio em massa dos Igbo

Pietrodeluccapoeta777
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Foi exatamente em 1803 primeiro suicídio em massa dos guerreiros Igbo, até a chegada das Caravelas europeias nunca tínhamos ouvido ou passado por nada parecido em termos de crueldade, maldade,…

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11º dia - O Suicídio em massa dos Igbo

(HO'pretuLù Mpandè)

Foi exatamente em 1803 primeiro suicídio em massa dos guerreiros Igbo, até a chegada das Caravelas europeias nunca tínhamos ouvido ou passado por nada parecido em termos de crueldade, maldade, rancores. Não tínhamos a menor noção do quanto o ser humano era capaz de ser nocivo, ali era apenas uma prévia indefinida do que cada um de nós iríamos passar pelo mundo, inclusive o Brasil. Muitos dos nossos no decorrer da história até para a guerra vão, derramar o sangue desprezado, desonrado para defender os interesses dos nossos algozes.

Naquele dia como todos os outros naquela viagem inóspita, quando acordei lembrei que tive um sonho estranho, mas o que foi estranho foram os homens brancos me deixarem sonhar até o fim. No dia anterior, mais três guerreiros foram vencidos pela exaustão. A iminência de falência ali era uma contagem regressiva sendo assim, não resistiram e foram jogados ao mar, o holocausto impiedoso para aquelas pobres almas se libertaram e eles ganharam por definitivo as suas liberdade.

Sem qualquer tipo de cerimônia os marujos, os desacorrentaram, os conduziram até o convés e um a um foram sendo arremessados nas águas salgadas onde costumeiramente as embarcações eram seguidas por cardumes de tubarões e um dos marujos ironicamente falou: “Hoje os bichinhos (tubarões) vão passar bem!”...

O que mais me chamava a atenção era o sadismo daqueles homens de almas sebosas, inclusive o sadismo, a crueldade onde éramos enxergados como bichos nocivos.

Nenhum daqueles marujos tinha a menor noção do sentimento odioso que cada um de nós negros nutria naquelas condições, após mais aquelas três baixas, pairou um silêncio unânime entre os cativos, que só era quebrado com os gritos da inconsequência covarde ou quando a dor se tornava insuportável e incontrolável e mesmo assim, muitos negros bravos gemiam, murmuravam pois, era notável que a dor que eles sentidam era grande.

Depois daquele dia tenso, sabíamos que a noite tinha chegado, através das frestas de um canto do porão que nos permitiu visualizar a silhueta da lua cheia e nem com a sua beleza foi o suficiente para acalentar os nossos sofridos corações.

Com o barulho das ondas, aquele friozinho da maresia, fomos dormir naquele chão sujo, com sangue, urina, fezes dos cativos, dos ratos e das baratas, ali não tinha tempo e nem espaço para frescuras pois mal sabíamos se estaríamos vivos no dia seguinte. Não demorando muito peguei no sono, um sono tão pesado, aquele de intensa fadiga, de exaustão, tenho plena certeza que nossas almas vão além do que imaginamos, naquele momento me pareceu que minh'alma se desprendeu do meu corpo que até sonhei. .

O sonho

Em dado momento, longe daquele lugar inóspito, aquele cenário horrendo, vi um homem com uma túnica acinzentada quase branca, mas o local não era naquele Navio dos horrores!

Tudo parecia real, ao abrir os olhos aquele Senhor barbudo que estava em minha frente era um negro de semblante sereno, com a voz calma falou pausadamente: __ Tenha calma meu filho, muitos aqui em breve vão encontrar a liberdade, mas muitos vão ainda vão passar por momentos de muita aflição, eu e meus anjos vamos estar juntos de todos.

Não foi nada fácil a vida de cativeiro a bordo do Navio Negreiro. Hoje completa 16 luas, que estamos acorrentados pelos braços, pernas e pescoços, desconforto e pesadelos infinitos e constantes, essas aberrações não tinham fim.

Dormimos e acordamos na inércia do tempo, dias vem, dias vão e os nossos corações africanos choravam em demasia, é muita saudade, muita dor e ódio tudo junto, os guerreiros Zulus choram por dentro, são muitas lágrimas escorridas que vão escorrer, secar, se renovar em alguns irmãos viraram um câncer, noutros depressão, em muitos a morte lenta e em poucos, a morte imediata.

Os homens brancos do século XV até o século XIX, em nome do capitalismo, se apossaram de tudo que gerava dividendos, inclusive a raça negra que era vendida em mercados e passava a ser propriedade de algum fazendeiro e dali por diante o escravo passava a viver como um condenado perpétuo, sem direitos, só obrigações e severas punições.

HO'pretuLù Mpandè era curioso quando em uma conversa no porão, ele conheceu o famoso Baquaqua, por aqueles dias ficou perplexo quando conheceu o guerreiro da tribo Igbo que relatou o fatídico suicídio em massa, depois da embarcação ter sido tomada.

Os Guerreiros Igbo!

HO'pretuLù Mpandè naquele dia ouvia atentamente um dos líderes da tribo igbo que se situava na Nigéria 🇳🇬. Quando o guerreiro M'zanguny, foi narrando com muito orgulho e propriedade a coragem e a honra dos guerreiros da sua tribo.

Naquele dia foi em Igbo Landing, o local onde ocorreu o suicídio em massa dos meus irmãos escravos igbo no ano de 1803 na Ilha de St. Simons, GA.

Com muita astúcia um grupo de escravos igbo se revoltaram e assumiram o controle do navio negreiro, inteligentemente o encalhou em uma ilha, em vez de se tornarem escravos, em fila começaram a marchar com destino às águas salgadas, enquanto cantavam em igbo, afogando-se todos nele.

Assim aconteceu, os escravos foram acorrentados e colocados a bordo de uma embarcação para serem transportados aos seus destinos. No decorrer da viagem, eles assumiram o controle do navio e o encalharam, depois de uma rápida ação eles dominaram a tripulação e afogaram todos os seus captores nesse processo.

A sequência de eventos reais não é bem clara, pois a maior parte da incidência histórica foi transmitida pela tradição por comentários que repercutiram muito, tanto que a partir daquele evento os cuidados com transporte de cativos escravos dobraram.

Uma das versões comum é que os escravos, já em terra, foram entrando no mar em uníssono, cantando e entoando em igbo ao comando de alguém que parecia ser um líder ou um sacerdote que estava entre eles. Esta revolta foi referida como a primeira grande marcha pela liberdade na história da América.

Assim naquele dia depois de ouvir o brilhante e comovente relato do nobre guerreiro fiquei impressionado porém, triste com esse outro desfecho do nosso guerreiro M'zanguny, ele fez uma ligeira comparação com os guerreiros Zulus.

Naquela época acredito que até nos dias de hoje as lágrimas que escorrem de um ser em situação desfavorável, não comove ninguém, a maldade do homem é gritante e a avareza vai ficando cada vez mais forte e latente, desde o século XV o ser humano não tem a menor noção do que é o amor ao próximo. Eles criaram barreiras discriminatórias como se fosse sementes e espalharam pelo mundo, o povo preto ficou banalizado pelo preconceito e marginalizados pela maldade e a ganância dos colonizadores escravocratas.

@PietrodeLuccaPoeta ✒️📝🖋️

Escritor, Poeta, Contista e Cronista

Athelier das Letras - Selo 444®

https://pietrodeluccapoeta777.substack.com

pietrodeluccapoetanarcisosilva.blogspot.com

A maioria dos ibos vivem no sudeste da Nigéria, onde também são um dos maiores grupos étnicos na Nigéria.

Os ibos ou igbos (em ibo: Ṇ́dị́ Ìgbò), são um dos maiores grupos étnicos africanos. Habitam o leste, sul e sudeste da Nigéria, Camarões e Guiné Equatorial e falam a língua ibo.

Igbo é uma língua da família nigero-congolesa falada por 15% da população da Nigéria e por outras populações da África Ocidental, com um total de cerca de 18 milhões de falantes.

A língua Igbo compreende cerca de 30 dialetos que não são compreensíveis entre si.

Fonte: Wikipédia

Thoughts

  • MarianaGouveia

    Como você chegou a essa história? Busca própria ou alguém próximo? A forma como a gente descobre muda muito.

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  • Pietrodeluccapoeta777

    O sofrimento que a ancestralidade africana viveu, é impagável ao mesmo tempo inimaginável para qualquer afrodescendente moderno. Grande parte desconhece a história dos que devem ser lembrados sempre...

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