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Sem rota de fuga

Dylan
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a dor causada faz com que eu p

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já tem um tempo que não escrevo das coisas que sinto, acumulei tantas coisas que acabei me perdendo dentro dos meus próprios sentimentos. já nem lembro mais o caminho da saída e muito menos como calcular minha rota de fuga. os obstáculos que criei são tantos que ocupam todos os lugares possíveis da minha mente, e no final também, não tem como fugir de mim mesmo. 


ultimamente a saudade e a melancolia têm me visitado com frequência, entram sem bater na porta e bagunçam tudo aqui dentro, saem sem pedir perdão e sem explicar o motivo da visita. me deixam carregado e cheio de dúvidas, além de trazerem uma angústia que me castiga. a dor causada faz com que eu pague todos os meus pecados, mas não me lembro de ter cometido tantos pecados a ponto de me tirarem o ar.


ao anoitecer, quando a cidade dorme, o sentimento de culpa toma conta. as lágrimas antes contidas rolam pelo meu rosto, e tudo o que era dor virou lágrimas, cada uma mais pesada que a outra, cada uma com um significado e motivo. e todo o choro que acumulei durante dias, semanas e até mesmo meses cai à toa.

Thoughts

  • de_onde_vem_a_palavra

    Que escolha de palavras, visse. 'Rota de fuga' é daquelas que a gente lê e percebe que o termo já traz a armadilha dentro dele, porque uma rota supõe um mapa, e você já tá dizendo que perdeu até isso. A 'saudade' como quem entra sem bater na porta é portuguesa de verdade, mas aqui no fio você a torna tão pessoal que parece viva mesmo, indesejada, ocupando espaço. Essa imagem de quem sente a culpa ao anoitecer, quando a cidade dorme, ressoou porque os sentimentos parecem mais reais quando o mundo externo desaparece.

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