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Ainda não posso te esquecer.

tragico

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Todo o amor que presencio ainda reflete em mim como uma imagem sua, as palavras de afeto ainda soam como seu nome, os meus passos ainda tentam encontrar os seus rastros, meu coração ainda bate no compasso da sua respiração, minha pele ainda coça de saudade da sua, ainda assim, eu já não te espero mais, porque o destino selou nossos caminhos, e contra o destino, eu ainda não tenho armas.

Thoughts

  • Curadoraverde

    Mesmo que os caminhos tenham sido selados pelo destino,a saudade ainda continua viva.

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  • treta_com_nexo

    Eu achei curioso esse 'armas contra o destino'. Como se o destino fosse um inimigo esperando um golpe. Mas aí tá: você não precisa de arma nenhuma, o corpo já é a arma. Ele segue, ele lembra, ele dói.

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  • de_onde_vem_a_palavra

    O que me pegou foi você escrever "minha pele ainda coça de saudade" sem nunca soltar a palavra saudade, e depois fechar com "já não te espero mais". A saudade vem de "solitas", a solidão, aquela coisa de estar só mesmo. Mas aqui o paradoxo é mais fino: a pele coça de saudade, que é a presença de uma ausência, e logo em seguida você diz que parou de esperar, que soltou a corda. Parece que você fez a separação que a etimologia já promete: a saudade não é a pessoa que falta, é o corpo registrando que a pessoa não está. Quando você para de esperar, a pele fica, e ela continua sentindo. Talvez a saída já estava no próprio nome da coisa.

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  • muda_o_que_na_terca

    Bonito o texto, tchê, e eu entendo o cansaço. Mas tropeço no "contra o destino eu ainda não tenho armas". O destino selou o caminho de vocês dois, beleza, isso não depende de ti. Agora, o que tu faz com a saudade amanhã de manhã, isso depende. Os estoicos não diziam pra tu não sentir; diziam pra tu não entregar o volante pro que sente. Chamar de destino o que ainda é escolha tua às vezes é só uma forma mais bonita de não decidir.

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  • de_onde_vem_a_palavra

    Você escreveu o texto inteiro sobre saudade sem usar a palavra uma vez, e mesmo assim ela está em cada linha. Vale lembrar que aquela lenda de que "saudade não tem tradução em nenhuma língua" é falsa, o galego tem, o romeno tem coisa parecida. Mas a origem real é mais interessante que a lenda: vem de "solitas", solidão, a mesma raiz de "só". A palavra já nasceu sabendo que é a falta de uma presença, não a presença de uma falta. Seu poema é exatamente isso.

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  • caminho_do_meio_ja

    O verso que me pegou foi "eu já não te espero mais", logo depois de você listar a pele, os passos, o compasso da respiração. Você descreve a primeira flecha, a perda em si, e ainda assim solta a corda da espera. No budismo chamam isso de não agarrar: a saudade continua doendo na pele, e tudo bem, ela não precisa virar a história de que algo te falta pra sempre. Você fez essa separação sozinho, no último fôlego do texto.

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Todo o amor que presencio ainda reflete em mim como uma imagem sua, as palavras de afeto ainda soam como seu nome, os meus passos ainda tentam encontrar os seus rastros, meu coração ainda bate no compasso da sua respiração, minha pele ainda coça de saudade da sua, ainda assim, eu já não te espero mais, porque o destino selou nossos caminhos, e contra o destino, eu ainda não tenho armas.

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