A forma em Aristóteles, na sua Metafísica, o ser ou não ser, a diversidade e a unidade do ser
"Ser ou não ser" é o que ouvimos como provérbio, mas já nos questionámos a que se refere o "ser ou não ser" para além da forma como o interpretamos hoje? No livro de Metafísica de Aristóteles, onde reflecte sobre a natureza das coisas, as ciências e a composição da matéria, Aristóteles, que não se dava bem com os poetas e os expulsou da cidade, dava-se melhor com os sofistas. Aceitava que as suas construções sobre a essência das coisas, a forma como descreviam a compaixão e a compreensão das coisas nas suas narrativas, se tornavam, para Aristóteles, uma forma de ciência na medida em que investigavam as causas primeiras. Para este pensador, é a teologia que deve questionar o porquê da matéria, e é isso que os sofistas fazem. Para este filósofo, a física investigava a composição das coisas, a sua natureza e as suas causas, enquanto a segunda ciência, a física, se ocupava dos movimentos da matéria. Para Aristóteles, todas as coisas do mundo eram compostas de matéria e forma. Esta ideia é conhecida como hilemorfismo. Matéria: aquilo de que uma coisa é feita, o material ou substância. Forma: aquilo que faz com que uma coisa seja aquilo que ela é; dá-lhe a sua essência e organização. Por exemplo, uma estátua é feita de bronze (matéria), mas a sua forma é a figura que representa. Como era produzido o movimento? Aristóteles entendia o movimento como a transição da potencialidade para a atualidade. Potencialidade: aquilo em que uma coisa se pode tornar. Atualidade: o que esta coisa já é. Por exemplo, uma semente tem o potencial de se tornar uma árvore. Quando cresce e se desenvolve, torna-se atual, isto é, transforma-se numa árvore. Segundo Aristóteles, todo o movimento necessita de uma causa ou de um motor para o produzir. Além disso, explicou que existe um Primeiro Motor Imóvel, um ser que move todo o universo sem ser movido por nada. Este Primeiro Motor é considerado a causa última de todo o movimento.
Na filosofia de Aristóteles, a potencialidade não possui componentes como se fosse um objeto. É um conceito filosófico que descreve a capacidade de algo se tornar noutra coisa.
Contudo, para melhor compreendê-la, podemos explicá-la através dos seguintes elementos: O sujeito: a coisa que possui a capacidade de mudar. Exemplo: uma semente. A potencialidade ou capacidade: aquilo em que essa coisa se pode tornar. Exemplo: a semente pode transformar-se numa árvore. A atualização (ato): o resultado quando esta capacidade é realizada. Exemplo: a árvore adulta. Exemplo completo: Sujeito: semente. Potencialidade: capacidade de se tornar uma árvore. Ato: árvore. Em síntese, a potencialidade é a possibilidade real de se tornar algo, enquanto o ato é a concretização dessa possibilidade. Estes dois conceitos são fundamentais na explicação aristotélica da mudança e do movimento.
Esta estrutura, para Aristóteles, este motor imóvel de onde tudo se originou, era o éter, e manifestava-se sob a forma de amor e ódio, e assim aconteceu connosco. Mas, ao contrário de como hoje pensamos no cosmos e nas coisas como algo exterior, para Aristóteles estavam relacionadas, como o frio e o calor, e toda a causa tinha um efeito; assim, o frio era o efeito do calor. Esta forma de pensar, numa perspetiva humanista, facilitou o estabelecimento e a manutenção das teocracias antigas e modernas, que permitiram que a ordem fosse considerada algo fixo. Assim, o sacerdote era sacerdote e o leigo leigo, e não havia forma de alterar isso, para não prejudicar a ordem estabelecida por Deus, que se baseava no conceito deste motor imóvel. Estes são os escritos de Baruch Spinoza. Estabelecido o conceito de natureza, as coisas passaram a ser debatidas em si mesmas, compreendidas não através de categorias abstratas, mas contidas em si mesmas, desde as humanidades, desde Aristóteles, passando pelas diversas revoluções. Muitos dos seus conceitos sobre o governo teocrático já não são aplicáveis, mas o seu conceito de democracia continua válido, assim como os seus conceitos de mobilidade, embora não o do motor imóvel. Outro conceito atual de Aristóteles é o de que as coisas estão em movimento, conceito válido para a biologia, os sistemas de governo e as formas. A forma como Aristóteles classificou a epistemologia da ciência continua a ser relevante. A interpretação moderna dos organismos, a partir do transumanismo, abre caminho a novas especulações filosóficas sobre a natureza do corpo humano, a sua integração com o ser e o seu propósito último. Agora, já não é vítima de um motor imóvel destinado a regressar a um lugar, mas antes possui um tempo e um espaço de que é senhor.